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Trilho da Janela do Inferno palco de sessão de cinema ambiental

Sessão integra-se no projeto TRANS-Lighthouses da Universidade dos Açores e pretende unir ciência, arte e natureza através do debate ambiental e da valorização do território açoriano

© DIREITOS RESERVADOS

O trilho da Janela do Inferno, no lugar dos Remédios, na Lagoa, será palco da exibição de uma sessão de cinema de cariz ambiental no próximo dia 24 de julho, pelas 19h30.

A iniciativa resulta do projeto “TRANS-Lighthouses – More than green: Lighthouses of transformative nature-based solutions for inclusive communities”, da Universidade dos Açores, em parceria e colaboração com a iniciativa “Cine’Eco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela” e com o projeto “Water is Love”.

Com especial enfoque na água, a sessão integra-se também na iniciativa nacional Ciência Viva no Verão em Rede, que leva a Ciência à rua desde 1996.

A organização salienta que a ação pretende “proporcionar uma noite especial a toda a comunidade académica: uma sessão de cinema na Floresta Encantada.”

O ponto de encontro acontece na Casa da Água, no Lugar dos Remédios, na freguesia de Santa Cruz da Lagoa.

O projeto refere, ainda, em nota enviada ao nosso jornal, que será “uma experiência imersiva, onde natureza e cultura se encontram sob as estrelas, aproximando a ciência do público através da arte, do cinema e da vivência dos espaços naturais, promovendo o debate ambiental e a valorização do território açoriano”.

As vagas são limitadas e a inscrição pode ser realizada através do site da Expolab – Centro de Ciência Viva, do e-mail geral@expolab.pt ou através do telefone 296 960 520.

Projeto pioneiro nos Açores quer transformar Janela do Inferno em trilho único na região

Alunos da Universidade dos Açores recolheram dados junto da população. Um dos principais objetivos do projeto é melhorar a relação da população do lugar dos Remédios com o seu trilho que é procurado por centenas de turistas

Professor e investigador Eduardo Marques apresentou o resultado do trabalho dos alunos nos Remédios© CLIFE BOTELHO

Chama-se “Trans-Lighthouses, Para além do verde: Faróis de soluções transformadoras baseadas na natureza para comunidades inclusivas”. Trata-se de um projeto de investigação à escala europeia e que, nos Açores, é liderado pela Universidade dos Açores em consórcio com outras entidades locais e com um único local a estudar: os Remédios da Lagoa, mais concretamente, tudo o que inclui e envolve o trilho da Janela do Inferno, localizado naquele lugar lagoense, para onde são atraídos, diariamente, centenas de turistas, em época alta. “A ideia é que este nosso trilho, o trilho da Lagoa, não seja só um trilho, queremos que possa ser um trilho diferente, diverso, único, na região dos Açores e que possa ser uma solução para outros problemas sociais complexos”, começa por explicar Eduardo Marques, professor e especialista em serviço social na Universidade dos Açores (UAc), ao Diário da Lagoa (DL). A conversa com o DL decorreu no lugar dos Remédios, na primeira assembleia participativa do projeto, no passado dia 17 de maio, dia em que foi inaugurada também uma exposição onde constam testemunhos, fotografias, desenhos e grafismos feitos pelos alunos de Serviço Social da UAc. Foram 35 os estudantes que andaram pelos Remédios a falar com os residentes, utilizando uma metodologia designada como “walkthrough”. 

“A ideia é ter vários faróis para iluminar a governança e novas políticas públicas na Europa, ter luzes que nos apontem caminhos, que nos iluminem para podermos desenvolver uma outra economia e outras políticas baseadas na participação, numa governança colaborativa entre as várias partes que encontramos num território, designadamente as organizações públicas. Pode ser o governo, podem ser as autarquias, as empresas, a universidade e depois todo o setor social”, explica Eduardo Marques. 

José Raul Medeiros, um dos moradores mais conhecidos dos Remédios, senão o mais conhecido, gostou de se ver no desenho que os alunos de Serviço Social fizeram dele e da esposa, e que está exposto na Casa da Água, nos Remédios. “Gostei mas mesmo que eu não estivesse ali, estava na mesma todo satisfeito com aquilo que está acontecendo”, diz ao DL. Contudo, José Raul Medeiros admite que são muitos os moradores dos Remédios que nunca fizeram o trilho da Janela do Inferno e não o conhecem. A mesma ideia tem Eduardo Marques. “A maior parte, ou um grande número de pessoas, está de costas voltadas para o trilho, nunca foi ao trilho, apesar de viver aqui na proximidade do trilho”, considera o professor. Ainda assim, ele é procurado por centenas de pessoas e isso impacta a zona que o circunda.

Combater o desemprego utilizando a natureza

Projeto pretende transformar o trilho numa solução baseada na natureza para um turismo sustentável © CLIFE BOTELHO

Eduardo Marques explica quais são os principais objetivos deste projeto pioneiro nos Açores. “A ideia é perceber como é que um ativo, um recurso importante, a «Rota da Água – Janela do Inferno», pode alavancar um processo de uma relação mais positiva com o trilho de forma a que também que a comunidade pudesse ter benefícios dessa relação com o trilho”, justifica. O responsável acrescenta que se pretende “transformar o trilho numa solução baseada na natureza para um turismo sustentável. Nós podemos inspirar-nos na natureza e no seu funcionamento para resolver problemas sociais complexos”. E dá exemplos: “como é que se resolve problemas de desemprego, como é que nos podemos inspirar, basear na natureza para resolver problemas de emprego versus desemprego, como podemos melhorar a saúde — temos soluções desde os anos 60 implementadas no Japão que são os parques de terapias da natureza que reduzem o stress, reduzem a tensão arterial — portanto, podemos utilizar a natureza para nos curar, para ser integrada nos sistemas de saúde, podemos integrar a natureza como dimensão da arte e cultura”. 

Para o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, “cabe-nos a nós, pessoas dos Remédios, junta de freguesia, câmara municipal, tirar proveito dessa avaliação”, ou seja, de todo o “Trans-Lighthouses”. O projeto, inclui várias fases, tem tido contributos da comunidade dos Remédios e pretende melhorar a vida de quem lá vive, sempre em consonância com um desenvolvimento harmonioso e respeitador do ambiente envolvente.

Na assembleia participativa que decorreu nos Remédios, a população foi convidada a deixar sugestões © CLIFE BOTELHO

A autarquia lagoense bem como a junta de freguesia de Santa Cruz, e ainda o CEFAL – Centro de Educação e Formação Ambiental de Lagoa ou o OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores são alguns dos parceiros locais deste projeto europeu. Para o presidente da junta de Santa Cruz, Sérgio Costa, “tudo aquilo que fica registado e aquilo que fica em arquivo é muito importante não só para agora mas também para aqueles que vêm à frente” mostrando-se disponível para “o que for necessário”. 

“Acreditamos que só de uma forma colaborativa e interinstitucional poderemos desenvolver os territórios de uma forma sustentável e mais harmoniosa e sempre com o envolvimento da população local”, considera Eduardo Marques, responsável pelo projeto.

Na primeira assembleia participativa que decorreu nos Remédios, a população foi convidada a deixar ideias de negócio, sugestões e propostas para a requalificação de espaços bem como está convidada a conhecer o trilho, num passeio conjunto que deverá acontecer em agosto.

Os Remédios serão “talvez a primeira comunidade a ter um orçamento participativo de base local”, avança Eduardo Marques, que estará entre os cinco mil e os 10 mil euros.

Lagoa apresenta projeto ambiental internacional a parceiros locais

© CM LAGOA

Realizou-se, a 5 de junho, Dia Mundial do Ambiente, um encontro que juntou na Casa da Água Trail Point entidades da sociedade civil, que teve como objetivo dar a conhecer o projeto “Trans-lighthouses” e, em simultâneo, aprofundar as bases para uma governanção ecosocial em rede do Trilho Janela do Inferno, enquanto território piloto deste projeto europeu, de acordo com nota de imprensa da Câmara Municipal da Lagoa (CML).

Este foi o primeiro de vários encontros intitulados de “Living Knowledge Lab” (Laboratório de Conhecimento vivo), onde se pretende registar e discutir ideias provenientes dos “stakeholders” numa lógica participativa e de cocriação de soluções baseadas da natureza, aplicadas ao trilho da Janela do Inferno e às comunidades circundantes, explica a autarquia, na mesma nota.

O “Trans-Lighthouses” tem como objetivo o desenvolvimento de soluções baseadas na natureza e nos Açores, sendo operacionalizado pela Universidade dos Açores, pela Cooperativa Kairós e pela Câmara Municipal de Lagoa.

Centra-se no território abrangido pelo município de Lagoa, nomeadamente o trilho da Janela do Inferno. Trata-se de um projeto de europeu, no âmbito das candidaturas «Horizon», com um financiamento total de cerca de 6 milhões de euros e conta com 26 parceiros, nacionais e internacionais, entre eles universidades, municípios e Organizações Não Governamentais (ONG). O projeto tem a duração de três anos e meio, tendo celebrado o seu primeiro aniversário no passado mês de maio.

O evento teve como oradores Eduardo Marques, professor da Universidade dos Açores, Pedro Gouveia, da Cooperativa Kairós, e contou com a participação do vereador da área do ambiente da CML, Nelson Santos.

Fizeram parte deste primeiro encontro, a Direção Regional do Turismo, a Agência Sustainable Azores -DMO, a Expolab, o OVGA – Observatório Vulcanológico e Geológico dos Açores, o CEFAL – Centro de Educação e Formação Ambiental de Lagoa, as juntas de freguesia do Rosário, Santa Cruz e Água de Pau. Esteve, ainda, presente a Associação para a Promoção do Público Jovem (APPJ) com os jovens que estão a participar em atividades do projeto e que são acompanhados por esta instituição. Neste contexto, foi inaugurada uma exposição constituída pelos trabalhos e testemunhos realizados pelos jovens, no âmbito das suas experiências com a natureza integradas no projeto Trans-Lighthouses.