
Decorreu mais uma Sessão de Educação Política e para a Cidadania promovida pela área da Cultura do Município de Lagoa em parceria com a Escola Secundária do concelho.
O convidado para esta sessão foi o eurodeputado pelos Açores do Partido Socialista, Ricardo Serrão Santos.
O orador, Doutor em Biologia e investigador coordenador do IMAR – Instituto do Mar, abordou a temática “O papel da cidadania no contexto dos problemas globais, como o desenvolvimento sustentável e as mudanças climáticas. O papel da sociedade na governação e no consentimento”. A esta sexta de um conjunto de oito sessões que decorrerão neste ano letivo acorreu um público de cerca de 80 alunos do ensino Secundário daquele estabelecimento de ensino, bem como docentes e outros interessados na temática.
Como nota de abertura, Igor Espínola de França, coordenador de Educação e Cultura, apresentou o convidado e referiu o papel de relevo que desempenhou como presidente do IMAR – Instituto do Mar e a sua importante contribuição nos assuntos relacionados com o Ambiente. Relembrou a aproximação das eleições europeias e apelou a que todos os cidadãos exerçam o seu direito ao voto, contribuindo assim com a sua cidadania ativa para este ‘projeto multinacional’ que é a União Europeia e que tanta influência exerce em questões candentes, como o aprofundamento da democracia e da cidadania e na defesa do equilíbrio ambiental.
O eurodeputado iniciou a sua apresentação fazendo um breve enquadramento histórico sobre a grande aceleração que se viveu no seculo XX com o desenvolvimento das sociedades, da criatividade e do crescimento industrial acelerado. Este desenvolvimento não ordenado levou às alterações do clima e da biodiversidade a que assistimos na atualidade.
Continuou a sua exposição mencionando a dificuldade em se estabelecerem acordos internacionais a fim de conter o aquecimento global. Relembrou o Acordo de Paris celebrado no ano de 2015 num contexto de desenvolvimento sustentável por 195 países, louvado como um marco nas negociações internacionais para redução de gases estufa. Destacou a responsabilidade acrescida dos políticos e governantes dando o exemplo do atual presidente dos Estados Unidos da América, país que é um dos maiores emissores de dióxido de carbono do planeta, que em 2017 anunciou a sua renúncia ao Tratado, relativizando o envolvimento humano no flagelo das alterações climáticas.
Ricardo Serrão Santos destacou a importância que as novas gerações têm criando movimentos capazes de exercer pressão sobre os seus governos e políticos, exigindo respostas no processo de retrocesso do aquecimento global. Estes movimentos de cidadania relembram a necessidade da criação de melhores medidas políticas e de regulamentos que alterem os paradigmas com que nos deparamos na sociedade atual, assim como a necessidade da tomada de decisões mais sensatas por parte dos sistemas tributários e financeiros numa sociedade que se quer menos distópica. O combate ao desperdício e a política contra os plásticos foram outros dos assuntos abordados com maior relevância pelo convidado.
Relativamente à realidade do arquipélago dos Açores salientou a procura por parte das empresas de criar diretivas, incluindo maior produção local nas estruturas de venda e a criação de uma economia circular de ajuda ao combate do desperdício.
O eurodeputado terminou a sessão realçando a importância do Parlamento Europeu na correção e regulamentação de novas políticas, bem como em ações de mudança de condução de um sistema económico que está em guerra com o planeta. É necessária uma política Europeia solidária num paradigma de progresso e de mudança de sistemas ambientais e sociais.
Concluída mais esta sessão a autarquia prossegue o seu propósito de, através da educação não-formal, sensibilizar os jovens lagoenses para a necessidade de aprofundarem a sua cidadania, bem como se consciencializarem dos problemas ambientais e da sua influência não só no presente, mas também no futuro tanto da sociedade, como do planeta.
DL/CML
Os leitores são a força do jornalismo livre.
Subscreva e apoie. Ao valorizar o nosso trabalho, viabiliza um jornalismo independente e de proximidade. Só assim levamos até si as notícias que contam.
Deixe uma resposta