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A Oeste Nada de Novo: A Pobreza e o Socialismo Açoriano

André Silveira
Empresário

A publicação dos resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento do INE confirma a evolução preocupante dos principais indicadores de pobreza em Portugal, sendo que os resultados para os Açores não são surpresa. Estamos mais pobres, com mais pobres e com mais açorianos em risco de pobreza. São especialmente preocupantes os números relativos ao risco de pobreza que estão em contraciclo com o resto do país, o que demonstra que a questão não tem a ver com a conjuntura mas é sim um problema endémico da Região. Três décadas de socialismo regional com os resultados que se conhecem.

Como as reações a esses vergonhosos números não se fizeram esperar, pudemos assistir a PS e PSD abrirem as hostilidades iniciando uma verdadeira competição de alta performance acerca de quem conseguia atingir a demagogia suprema. Tal embate, entre conferências de imprensa absurdas ou publicações nas redes sociais mais ou menos mentirosas, não esclareceu grande coisa, mas foi bastante revelador do pensamento político de ambos os partidos, e mostrou a total ausência de uma ideia progressista e de desenvolvimento para os nossos Açores. Não sendo surpresa, foi algo constrangedor ver o medir de centímetros acerca de quem foi mais assistencialista, ou quem manipula melhor números devastadores que mostram o total fracasso desta autonomia. Uma reflexão sobre o mais importante assunto para a Região, a redução da pobreza, obviamente não interessa a nenhum dos lados, é muito mais fácil aumentar apoios sociais e esmolas. É o que temos.

Vasco Cordeiro, recorrendo às mais recentes técnicas de comunicação em política, usou o Facebook para se indignar com o estado pobre destes pobres Açores, que além de terem muitos pobres são populados por pobres políticos. Começando por ele, que na sua pobreza intelectual e política, não entende que é o principal responsável pelo estado em que deixou os Açores depois do seu reinado. Um político que não entende que o seu legado faz parte do seu futuro e que não reconhece não ter condições para pedir responsabilidades de nada sem primeiro fazer o seu acto de contrição, é um que não interessa ao circo político cá das nossas ilhas. Aos Açores e aos Açorianos não interessa nada. Os Açores precisam de uma oposição capaz. Este incidente mostra que não virá deste PS/Açores, muito menos com a manutenção de Vasco Cordeiro na liderança.

Do lado do PSD, respondeu uma tríade mais ou menos estranha em representação da coligação. Ora, entre uma comunicação péssima, como é apanágio deste governo, e muita falta de exactidão, tentaram defender-se, contra factos, com números errados, mentirosos até, e algumas interpretações erradas. Uma conferência de imprensa onde raramente disseram a verdade, mas onde disseram muito bem ao que vem esta coligação, e qual o seu pensamento para os Açores: Mais apoios sociais, mais assistencialismo e zero referências ao desenvolvimento económico. A solução é sempre a mesma. Mais dinheiro em apoios sociais em detrimento de investimento de facto. Se retirarmos o que pagamos da SATA, o enorme custo da saúde e apoios sociais do orçamento regional, o que sobra dá para construir apenas alguns palcos para o Santo Papa, ou algumas gares na ilha do Corvo. Afirmações como: “são os apoios sociais deste Governo Regional que estão a reduzir a pobreza nos Açores, (…)” deveriam encher de vergonha um governo que assume assim que a sua ideia para o combate ao nosso maior flagelo é a via do assistencialismo, e onde o progresso, aumento dos rendimentos do trabalho ou a melhoria dos indicadores da educação não passam de notas de rodapé em mais um programa socialista. As mesmas ideias que nos trouxeram até aqui. Uma região pobre onde a perspectiva de o deixar de ser está cada vez mais longe, numa economia controlada por dois ou três grupos económicos que mantêm reféns todos os Açorianos à sua condição de pobres ou empoleirados no orçamento da Região. Os Açores e os Açorianos necessitam e merecem mais e melhor.

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