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Carlos Carreiro a pintar há mais de quarenta anos

Paisagem muito habitada, 1985

Paisagem muito habitada, 1985

Carlos Carreiro, pintor e professor universitário, nasceu em Ponta Delgada, em 1946. Fez o curso geral de pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto, tendo iniciado a sua carreira de docente em 1977 na Faculdade de Belas Artes do Porto. Desenvolveu a sua carreira de pintor a par da docência, criando em 1976 o “Grupo Puzzle” com Graça Morais, Jaime Silva, Dário Alves, entre outros.

À sua primeira exposição individual na Galeria Zen, no Porto, em 1973, seguiram-se outras sessenta e oito exposições, das quais destacam-se a “Exposição Antológica” nos Museus das Flores e da Graciosa, a exposição na Carmina Galeria, em Angra do Heroísmo, a mostra “Carlos Carreiro na colecção de Carlos Carreiro”, no Centro Cultural de Cascais, e, mais recentemente, “Exposição Antológica de 43 anos de pintura de Carlos Carreiro” patente até 4 de outubro no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz.

Em 1992, organizada pelo Governo Regional dos Açores através da Direcção Regional da Cultura, realizou-se uma mostra de grande retrospectiva do seu trabalho intitulada “Exposição Antológica de 25 anos de pintura” que percorreu locais como Angra do Heroísmo, Horta e Ponta Delgada, nos Açores, e, em Portugal Continental, Lisboa e Porto.

Participou igualmente em inúmeras exposições colectivas e arrecadou quinze prémios e menções honrosas, nomeadamente, em 1997, o Grande Prémio de Pintura da AIP, Prémio BMW Art- Car, também em 1997, a menção honrosa atribuída pelo Banif na área de Pintura, em 2004, e, em 2006, é agraciado com a Ordem de Mérito pela Presidência da República.

Na região dos Açores, está representado em diversas coleções, entre as quais se destaca o Museu Carlos Machado, com as obras “Cena de partilhas”, de 1986, “Cenário para Danae”, de 1988, e “O coleccionador”, datado de 1975, e na Assembleia Legislativa dos Açores com um painel de pintura e desenhos do projeto dos tapetes da Sala do Plenário.

A sua colecção particular foi reunida ao longo de quase cinco décadas e espelha os estilos presentes no seu trabalho, especialmente surrealismo, novo realismo e novo romantismo. Acerca do surgimento deste acervo explica que “reunir estes trabalhos feitos durante 47 anos foi uma experiência apaixonante, até para avaliar o nível de afeição que temos a certas obras e a respectiva capacidade de resistência em não se privar delas ao longo de tanto tempo”. Acrescenta que deve fundamentalmente esta opção à sua mulher já falecida há 16 anos, afirmando que “A Gica reservava um quadro grande e dois médios por ano, por isso temos mais de sessenta obras e os meus filhos continuam comigo a aumentar esta colecção”.

Em contrapartida, indica que não tenciona criar uma fundação com o seu acervo ou doá-lo “para adormecerem nas reservas das colecções institucionais”, deixando-as assim em casa para que um dia as novas gerações olhem para a sua pintura com outros olhos e descubram valores e originalidades que hoje não se apercebem.

Ao reunir esta série de obras, é intenção de Carlos Carreiro evocar aqueles que sempre apreciaram a sua pintura e apresentá-la a quem não conhece, principalmente os mais novos, pois o próprio pintor afirma que ele e muitos outros artistas não fazem parte dos figurantes que são insistentemente divulgados nos media.

Acerca da sua obra afirma “ou se gosta muito ou se detesta, não é fácil nem é feita para suavemente entrar nas salas e condizer com os tons monocromáticos dos sofás e dos cortinados, é mesmo para chatear”. O artista não intenta criar um discurso ou teoria, mas apresentar algumas referências do seu processo de trabalho e algumas fontes a que recorre frequentemente. O seu trabalho começa a partir de uma ou mais imagens e a sua composição vai evoluindo directamente sobre a tela, chegando a afirmar mesmo que “como sou um “parasita de imagens”, vivo rodeado de inúmeros livros e dossiers com recolhas do quotidiano, do mundo vulgar, de situações e toda a espécie de referências”.

É conhecedor da arte contemporânea, viaja muito e mantém-se sempre actualizado. Garante que o que tem feito é tão simples como ser sapateiro ou médico, só que, segundo as palavras do próprio, “exerço a profissão com uma paixão obsessiva e com um misto de humor e alegria”.

DL

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