A Comissão Especializada do Turismo (CET) da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, na sua última reunião, procedeu à análise de um conjunto de assuntos de interesse para o setor.
Assim sendo, a Comissão lamentou o corte nas verbas afetas ao setor do turismo, previsto nos instrumentos de planeamento de médio prazo e também para o ano em curso. Continua a haver carências muito importantes, sendo particularmente relevantes as necessidades de financiamento de infraestruturas necessárias ao setor, assim como para a formação profissional direcionada para as atividades do setor.
Segundo uma nota enviada à nossa redação, corre-se o risco, “com sinais já evidentes de imigração, por falta de trabalhadores especializados para ocupação de trabalhos no setor, quando se assiste à existência de pessoas no desemprego a necessitar de formação”.
A Comissão analisou a retirada da EasyJet da rota dos Açores, circunstância que gera a maior preocupação e aconselha uma análise profunda da evolução corrente das atividades de transporte aéreo para os Açores.
Por outro lado, a Comissão lamentou o cancelamento do voo da SATA para Munique, por se tratar de um aeroporto que serve de plataforma para um mercado muito importante – Alemanha/Áustria/Suíça – que tem sido objeto de campanhas publicitárias e que continua a ser o mais importante dos mercados emissores para os Açores.
Analisando as diversas políticas públicas para o setor, a Comissão considerou ser necessária uma maior articulação estratégica da ação das entidades com intervenção pública: Direção Regional do Turismo, Associação de Turismo dos Açores (ATA) e SATA, para que sejam obtidos os melhores resultados possíveis por cada euro aplicado.
A Comissão analisou em específico a situação organizativa da ATA, entendendo que se justifica rever esta instituição de promoção externa, no sentido de a tornar mais eficiente para que possa obter melhores resultados na sua ação.
A estratégia de abertura de rotas para a Macaronésia (Cabo Verde) e para Barcelona, num contexto em que foram reduzidas as rotas para a Europa do Norte também foram analisadas.
A Comissão analisou igualmente a hipótese de aplicação de uma taxa turística em Ponta Delgada, iniciativa que foi considerada inoportuna face à ainda baixa taxa de ocupação em Ponta Delgada e, em particular, à fragilidade ainda evidenciada pelo setor.
A Comissão evidenciou preocupação com o crescimento exponencial da oferta na área do rent-a-car, num percurso que pode ser destrutivo de algumas iniciativas, com sustentabilidade incerta a prazo, situação que carece da atenção das entidades públicas responsáveis pelo setor.
Analisadas as estatísticas recentes para o setor, a Comissão identificou uma baixa na taxa de ocupação na hotelaria, mesmo em face do aumento dos turistas que nos visitam, o que significa um aumento acelerado da oferta de alojamento, circunstância que justifica acompanhamento e análise.
Demonstrou a Comissão igualmente preocupação com a baixa do turismo originário dos EUA e de Espanha, particularmente no que ao mercado da Terceira diz respeito.
DL/CCIPD
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