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Conclusão da obra do intercetor de águas residuais da Ribeira Grande está atrasada sete meses

© ACÁCIO MATEUS
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Está com um atraso de sete meses relativamente ao prazo previsto para a sua conclusão a empreitada de construção do intercetor de águas residuais da Ribeira Grande. Os trabalhos tiveram início em maio de 2021, com um prazo de conclusão de 480 dias (16 meses). A obra deveria ter ficado concluída em setembro de 2022.

Passados sete meses sobre o prazo previsto, os trabalhos prosseguem na zona de Santana, Rabo de Peixe, mas sem previsão para a sua conclusão. Há quase dois anos que os utilizadores da estrada que liga a Ribeira Seca a Rabo de Peixe se têm deparado com inúmeros constrangimentos de trânsito e desvios.

Orçada em cerca de 2,3 milhões de euros, a empreitada de cinco quilómetros de tubagens e dez estações elevatórias que vão levar as águas residuais da cidade da Ribeira Grande para a ETAR de Rabo de Peixe ultrapassou, há muito, o prazo para a sua conclusão e não há explicações por parte da autarquia.

Há cerca de duas semanas, o Diário da Lagoa enviou várias questões à câmara da Ribeira Grande, mas até à data sem qualquer resposta.

A vereadora Lurdes Alfinete, que lidera a oposição socialista na câmara da Ribeira Grande, diz que “o atraso que se verifica nesta obra é, infelizmente, mais um exemplo do que tem acontecido na Ribeira Grande nos últimos nove anos, ou seja, as obras são mal planeadas e mal geridas”.

Lurdes Alfinete acrescenta que “a construção deste intercetor deveria ter merecido mais cuidado por parte da câmara da Ribeira Grande, até porque foi lançado um concurso público. Teria sido fundamental observar um estudo geológico e geotécnico para saber que tipo de solo se encontraria e que soluções seriam necessárias à sua construção. Temos, assim, o arrastar de uma obra por meses, muito para além do prazo previsto, com uma conclusão atrapalhada, porque foi mal planeada e tem sido mal gerida”.

“Para além do dinheiro que isto custa aos ribeiragrandenses (com as revisões de preço, por exemplo), existe, há cerca de um ano, um incómodo terrível para quem usa o caminho de Santana, a par da falta de segurança para utilização de parte da via. Um percurso de cerca de dois quilómetros transformou-se em cerca de seis. Para quem trabalha, para quem nos visita, para a nossa segurança, isto não é aceitável”, acrescenta.

Para além disso, a vereadora do PS alerta para o facto de que “a construção deste intercetor de águas residuais não vai resolver o problema das águas residuais da Ribeira Grande. A contaminação das águas das piscinas da Ribeira Grande e das praias da cidade vai continuar enquanto não se investir com seriedade no saneamento básico de todas as ruas que estão mais próximas da ribeira e da levada e se apostar na ligação das moradias a este saneamento”.

“Continuamos com esgotos a céu aberto e com descargas diárias para a ribeira da Ribeira Grande. A qualidade das nossas praias, das nossas vidas, do nosso turismo não ficará assegurada. Esperamos, todas as vezes, que se aprendam com os erros, mas, acima de tudo, que se façam investimentos com seriedade e com o devido planeamento, pois é do dinheiro de todos nós que estamos a falar”, conclui.

Acácio Mateus

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