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É preciso saber valorizar o que se pesca

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A iniciativa ‘Pesca na Ilha’ pretende reforçar a ligação de determinados produtos da pesca à identidade de cada ilha, através da organização de pequenos fóruns de discussão, envolvendo agentes das áreas da investigação, gestão, produção e a restauração.

“Pesca na ilha” é um conceito, diz o Diretor Regional das Pescas, apontando ser uma das iniciativas que a DRP encontrou para avançar para essa valorização importante e necessária.

Segundo Luís Rodrigues, dentro de tantas preocupações e responsabilidades, há de facto linhas de preocupação que são prioritárias, como é o caso da valorização e capacitação das pessoas, sendo importante que se invista cada vez mais na formação, na escolarização, na sensibilização e, neste sentido, tem havido um grande investimento”.

Em declarações ao Jornal Diário da Lagoa, à margem da realização desta iniciativa no Porto dos Carneiros, na Lagoa, Luís Rodrigues referiu que, outra grande prioridade tem a ver com a valorização dos produtos da pesca. “É preciso pescar menos e ganhar mais”.

“É possível encontrar, hoje em dia, soluções para ganhar mais rendimento na produção e que este seja distribuído mais equitativamente.

Segundo o Diretor Regional das Pescas, “na valorização dos produtos das pescas existem várias iniciativas e pensamos que o produto da pesca não é só o peixe, a própria comunidade piscatória, com os valores culturais e paisagísticos, acreditamos que esse tipo de virtudes podem ser valorizadas, além do próprio valor do pescado”.

Luís Rodrigues recorda ainda o esforço feito na valorização do goraz, onde poucos acreditavam que, mesmo depois de Bruxelas ter retirado mais de metade da quota, foi possível criar mais rendimento, assim como têm surgido outras espécies que tem vindo a ser valorizadas.

O governante adianta que, “paulatinamente junto da comunidade piscatória vai-se criando soluções para valorizar a pesca”.

Neste evento realizado na Lagoa, integrado no “Festival Lagoa Bom Porto”, a aposta recaiu sobre a Raia, um produto que tem vindo a crescer na sua captura e valor.

Recorde-se que a autarquia da Lagoa entre 18 e 23 de junho promove ‘Festival Sabores do Mar’, onde dez restaurantes apresentaram, nas suas ementas diárias, pratos típicos e especialidades feitas à base de peixe.

O objetivo deste festival assenta em valorizar o sabor do mar, através de peixes de baixo valor comercial e apelar à criatividade de cada restaurante na elaboração dos seus pratos e captar visitantes à Lagoa.

Uma iniciativa que surge no seguimento da realização do Festival Lagoa Bom Porto – Festa em honra de S. Pedro Gonçalves Telmo, aliada à valorização da atividade piscatória e da gastronomia à base de peixe, onde, nesta edição, foi apresentado o pastel de raia, como iguaria gastronómica do evento.

Segundo Luís Rodrigues, há espaço de manobra para pescar de forma sustentável. “Há evidência de haver cada vez menos peixe e é preciso alterar hábitos”, alerta.

Falando para uma plateia repleta de pescadores, o Diretor Regional da Pescas recordou que é preciso pescar com responsabilidade e de forma sustentável, mais em qualidade, e não em quantidade, conhecendo o mar e os recursos que dele se pode tirar.

Em risco pode estar a sustentabilidade futura, dai que destacou a importância da investigação.

Segundo recordou, nos Açores, ao contrário do que se possa imaginar, não há muito peixe, daí ser importante saber pescar, havendo espaço para a valorização de outras espécies.

Falando mais concretamente da Raia, da espécie que se pretende ver valorizada e que seja uma iguaria da Lagoa, números do Programa Nacional de Recolha de Dados, indicam que existem cerca de 285 espécies de raia, sendo a Raia Lenga a mais predominante nos Açores e que pode encontrar entre os 50 e os 240 metros de profundidade.

Trata-se de uma espécie que se reproduz o ano inteiro podendo chegar aos 15 anos.

A Raia dos Açores é uma espécie que se distingue das restantes, até pela sua alimentação, mais à base de cavala ou chicharro, sendo uma espécie que é capturada de forma secundária, não havendo pesca dirigida.

Os dados conhecidos indicam que o stock desta espécie é razoável, podendo ser feita uma captura direcionada, forma controlada, uma vez que o seu crescimento é lento.

Outra questão que diferencia a Raia de outras espécies é que não tem metais pesados ao contrário de outros peixes.

O Diretor Regional das Pescas destaca igualmente a importância da investigação e deste Programa Nacional de Recolha de Dados, tanto para saber o que o mar disponibiliza, recordando que, sem estes dados, em causa ficam igualmente mais de 400 milhões de euros de fundos comunitários.

Em 2018 foram descarregadas 35 toneladas em São Miguel, a um preço médio de dois euros. O valor total da venda desta espécie em São Miguel atingiu os 71 mil euros.

De salientar que, no final desta iniciativa que decorreu na Lagoa, os participantes tiveram a oportunidade de degustar ‘Pasteis de Raia’, confecionados pelos restaurantes aderentes à iniciativa ‘Festival Sabores do Mar’.

DL

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