
O Núcleo Empresarial de São Jorge (NESJ) denunciou hoje a “situação insustentável” do transporte marítimo de mercadoria para aquela ilha açoriana, depois de mais um cancelamento da viagem semanal, devido ao mau tempo.
Em nota de imprensa enviada hoje, os empresários alertam para a “situação insustentável” na forma como “os transportes marítimos de mercadorias servem a ilha de São Jorge”, referindo que esta foi a segunda vez este ano que a viagem semanal foi cancelada.
Ressalvando que compreendem que o cancelamento desta semana se deveu ao mau tempo, os empresários dizem não entender “porque é que o barco não espera para fazer o serviço no domingo ou segunda”, em vez de “voltar para Lisboa, fazendo a baldeação da carga em Ponta Delgada, para depois vir quarta ou quinta-feira noutro barco, de outra empresa, a São Jorge.
“Não querem fazer esperar a carga em Lisboa, daí terem de partir, mas em São Jorge já se pode esperar o tempo que for necessário”, acusa a associação empresarial.
Para estes empresários, “é impossível planear, organizar e, principalmente, trabalhar em São Jorge”, salientando que “as empresas de caráter industrial que concorrem com outras, não só no mercado açoriano, mas também continental e mundial, não podem estar sujeitas a situações destas”.
Lembrando que, em relação ao transporte aéreo, a SATA se responsabiliza “pelos sobrecustos” quando cancela a sua operação devido ao mau tempo, o NESJ lamenta a “completa desresponsabilização e desrespeito pelas ilhas mais pequenas” no que toca ao transporte marítimo de mercadorias.
“É absolutamente desencorajador manter atividade industrial nesta ilha vendo que os barcos cancelam cá, mas nunca falham nas restantes [ilhas]. Nem a lavoura nos resta, pois não consegue exportar queijo, o turismo desespera, pois já não há aviões nem turistas”, afirmam os representantes dos empresários.
Para a associação, “o transporte marítimo tem de ser revisto”, já que a operação é assegurada por três empresas e “nenhuma se responsabiliza pela entrega de mercadoria, que, para chegar a São Jorge, usa embarcações de mais que uma empresa”.
Assim, este núcleo sugere “uma gestão integrada dos transportes” que deve ser feita “com respeito pelos jorgenses, pelas empresas e pelo futuro da ilha”.
Lusa/ DL
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