
Uma solução permanente para um problema temporário…
Organização Mundial de Saúde (OMS) divulga que se suicidam em todo o mundo cerca de 3000 pessoas por dia o que dá uma a cada 40 segundos e, por cada pessoa que se suicida, 20 ou talvez mais tentam por fim á vida. Segundo a mesma fonte o número anual de suicídios, atualmente, é cerca de um milhão. Estima ainda, que este número será de 1,5 milhões em 2020.
O suicídio constitui um fenómeno complexo com implicações sérias a nível social pelo que é uma importante questão de saúde pública.
São fatores de risco ou facilitadores na génese da ideação / comportamento suicidário os relacionados com a psicopatologia como:
Depressão endógena, esquizofrenia, alcoolismo, toxicodependência e distúrbios de personalidade; modelos suicidários (familiares, pares sociais, entre outros); comportamentos suicidários prévios; presença de ameaça ou ideação suicida com plano elaborado.
Fatores pessoais que são:
Ter entre 15 e 24 anos ou acima dos 45 anos; pertencer ao sexo masculino e ser de raça branca; morte do cônjuge ou de amigos íntimos; escolaridade elevada; presença de doenças terminais (cancro etc.); hospitalizações frequentes, psiquiátricas ou não; família atual desagregada (separação, divórcio ou viuvez).
Fatores psicológicos como:
Ausência de projetos de vida; desesperança contínua e acentuada; sentimento de culpa elevada por atos realizados ou experiências passadas; perdas precoces de figuras significantes (pais, irmãos, cônjuge, filhos); ausência de crenças religiosas.
Fatores Sociais como:
Viver em cidades; desemprego ou desocupação; mudança de habitação; emigração; falta de apoio familiar e/ou social; reforma; acesso fácil a agentes mortais, tais como armas de fogo ou pesticidas; estar preso.
Perceber os sinais de alerta e intervir de forma eficaz poderá salvar vidas.
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, os suicidas expressam algo ou deixam pistas sobre as suas intenções.
Esteja atento á expressão de ideias ou de intenções suicidas:
“Vou desaparecer.”
“Vou deixar vocês em paz.”
“Eu queria dormir e nunca mais acordar.”
“Isso não vai parar, eu só quero me matar.”
Para além da expressão deste tipo de frases podem surgir outros sinais de alerta como comentários sobre a morte ou suicídio, preparativos para a morte que se traduzem na preparação de documentos, no dar objetos pessoais de valor sentimental elevado ou escrevendo cartas ou notas aos amigos.
A pessoa pode sentir, exteriorizar ou verbalizar sensação de desesperança, desprezo por si, apatia, falta de interesse pelo que lhe rodeia, tristeza intensa comportamentos impulsivos e alterações bruscas do humor
Conversas e ameaças de suicídio devem ser sempre levadas a sério!
Perante sinais de alerta ou suspeita que alguém pode estar a considerar o suicídio, o que fazer?
Não abandone essa pessoa e peça ajuda profissional; aguarde pelo momento apropriado procure um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Faça com que ela perceba que está ali para ouvir e apoiar; reconheça os sentimentos da pessoa; seja empático e não crítico; ofereça confiança.
Incentive-a a procurar ajuda de profissionais. Ofereça-se para acompanhá-la.
Se essa pessoa coabita consigo assegure-se de que ela não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.
4 formas de ajudar:
– Converse
– Acompanhe
– Procure ajuda profissional
– Proteja
João Martins de Sousa
Delegado de Saúde da Lagoa
Artigo publicado na edição impressa de outubro de 2019
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