
Vera Costa Santos
Especialista em Gastrenterologia
Hospital CUF Açores
A esteatose hepática, conhecida como fígado gordo, corresponde à acumulação de gordura no fígado. Já a doença hepática estetatósica associada a disfunção metabólica (previamente conhecida como fígado gordo não alcoólico), refere-se à presença de esteatose hepática em doentes com fatores de risco cardiometabólicos (como diabetes e obesidade) e surge na ausência de outras causas para a acumulação de gordura no fígado, como o consumo significativo de álcool. Atualmente, é a doença hepática crónica mais frequente.
Por norma, a esteatose hepática não provoca sintomas, sendo diagnosticada através da realização de exames de imagem, como a ecografia. Inicialmente, as análises podem ser normais. Apenas quando a esteatose provoca inflamação do fígado (esteatohepatite) é que os parâmetros hepáticos se mostram alterados, sendo nesta fase que aumenta o risco de progressão para fibrose, cirrose e cancro do fígado.
Quando se deteta esteatose hepática num exame de imagem, é importante investigar a sua causa e realizar exames para avaliar a presença de fibrose hepática. Por outro lado, na população de risco (com diabetes, obesidade ou com alterações nas análises do fígado), deve ser feito o rastreio da esteatose e a avaliação da fibrose.
A presença de fibrose no fígado pode ser estimada, numa fase inicial, através de sistemas de pontuação (scores) nas análises feitas ao sangue, seguindo-se, muitas vezes, da realização de uma elastografia hepática transitória (FibroScan). O Fibroscan é um teste simples, rápido e indolor, semelhante a uma ecografia, que avalia a existência de fibrose ou, em casos mais graves, cirrose hepática. Esta avaliação é muito importante, pois permite determinar o risco de complicações, definir o tipo de acompanhamento e a necessidade de tratamento.
Importa reter que o álcool provoca alterações hepáticas muito semelhantes às encontradas na doença hepática esteatósica metabólica, pelo que é importante excluir, pela história clínica, o consumo excessivo de álcool.
A melhor forma de prevenir a doença hepática esteatósica metabólica e as suas complicações passa pela escolha de uma dieta saudável e pela prática de exercício físico regular, reduzindo assim a prevalência da diabetes mellitus, da obesidade, da dislipidemia e da hipertensão.
Uma vez diagnosticada a doença hepática, importa garantir o seu acompanhamento e controlo das doenças cardiometabólicas associadas. Perder entre 5% a 10% do peso corporal ajuda a reduzir a gordura no fígado e a diminuir o risco de inflamação e fibrose. Em pessoas com diabetes, poderão ser prescritos medicamentos para controlar o açúcar no sangue. Já em casos de obesidade, entre outras terapêuticas, pode ser considerada uma abordagem endoscópica ou cirúrgica para perda de peso.
Quando a doença hepática evolui para cirrose, poderão ser necessários fármacos para reduzir ou tratar as suas complicações. Em casos mais graves, poderá estar indicado o transplante hepático.
O controlo de fatores de risco e o acompanhamento da doença hepática são fundamentais para evitar a sua progressão para cirrose ou cancro.
Cuide do seu fígado, mantenha hábitos de vida saudáveis e um seguimento médico regular.
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