
Chegámos 10 minutos antes da hora do ensaio, ao Edifício Polivalente de Santa Cruz, sede da associação do Grupo de Cantares Tradicionais de Santa Cruz (GCTSC), numa sexta-feira, 12 de novembro. É o dia da semana em que o grupo se reúne para o habitual ensaio às 20h30. A última vez que o Diário da Lagoa havia acompanhado o GCTSC a pandemia estava prestes a surgir e os planos eram muitos mas semanas depois, ficaram todos suspensos. Fomos por isso saber, neste regresso, o ponto de situação. Aguardamos até que os primeiros elementos começaram a chegar. “É o Diário da Lagoa” vinha esclarecendo Clemente Raimundo à amiga Maria Cristina, de 69 anos, que caminhavam juntos para a sala de ensaios. Antes, Clemente ia-nos recordando como tudo começou: “até dois mil os ensaios eram na minha casa e mesmo depois disso alguns foram lá. Foi um ano ou dois a dar as «Boas festas» mas depois já começámos a fazer mais saídas. Saímos da minha casa com 25 pessoas e regressávamos de madrugada a minha casa com 50” recorda com um brilho nos olhos de quem se sente realizado com o projeto que ajudou a nascer.
Depois de chegar o presidente do grupo, Fernando Jorge Moniz, e o maestro Álvaro Cabral, junto com Clemente, sentamo-nos à volta da mesa para uma conversa a propósito dos 25 anos que o Grupo completa no próximo dia 26 de dezembro.
Fernando Jorge começa por apontar que “temos mantido quase todos os elementos”, rondando atualmente as quatro dezenas. O maestro, sublinha que não “interessa a quantidade mas a qualidade, é este lema que me faz acompanhar o grupo e tem dado certo. Fazemos sempre ensaio, faltem ou não pessoas. Nem que tenham vindo dois ou três, trabalhamos”. Álvaro não esconde que “melhorando esta pandemia” quer é “trabalhar”. Fernando Jorge também espera que “esta pandemia se acomode e que nós possamos levar em frente os nossos projetos”. A ideia, explica, “era lançar o CD nestes 25 anos com o livro que já temos” e avança que há também ”um vídeo de 25 anos que está sendo feito”, mas devido à pandemia o lançamento do novo CD vai ser adiado.
Fernando Jorge garante que é “um presidente feliz com as pessoas que tenho comigo”. A frase é logo depois sublinhada por Clemente: “também me sinto feliz”, confessa, com o sorriso de quem gosta verdadeiramente de um projeto que começou com uma brincadeira, já soma dezenas de atuações e está prestes a completar os seus 25 anos.
Programa previsto para o dia 26 de dezembro, pelas 20h30, no salão nobre do Convento de Santo António:
– Apresentação de Graça Moniz e Almeida;
– Vídeo dos 25 anos de atividade do Grupo, da autoria do Tiago Silva, elemento do GCTSC;
– Apresentação do livro dos 25 anos de existência, escrito — e apresentado — por Júlio Tavares Oliveira;
– Discursos do presidente do GCTSC, presidente de junta e da presidente da câmara da Lagoa;
– Cantata de Natal, com as músicas de Natal e o Hino do Grupo, que farão parte do CD;
– Homenagem póstuma ao elemento falecido em 2021, senhor João Manuel Ferreira Telheiro;
– Bolo de aniversário e os parabéns.
Clife Botelho
Reportagem publicada na edição impressa de dezembro de 2021
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