O Secretário Regional da Educação e Cultura afirmou que o gosto pela leitura é “o único vício que, verdadeiramente, não faz mal”, salientando que a instrução foi, ao longo dos séculos, “sempre o mais poderoso instrumento de redução das desigualdades sociais”.
Na sua intervenção, Avelino Meneses salientou que foi precisamente com o propósito de “aumentar a literacia da nossa população, de colocar a nossa Região ao nível dos melhores exemplos europeus” que o Governo dos Açores criou, em junho de 2011, o Plano Regional de Leitura, que procura ser um “promotor da valorização do livro, através do estímulo da prática a leitura para alfabetização dos mais ignorantes, para ilustração dos mais sabedores”.
Numa estratégia, adiantou o Secretário Regional, muito centrada no acompanhamento das crianças, mas também dos jovens, que “são os verdadeiros construtores de um futuro mais progressivo, porque edificado sob competências novas e consistentes”.
Como exemplos desta política, Avelino Meneses referiu que, nos estabelecimentos prisionais de Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo, com o apoio das escolas Roberto Ivens, Antero de Quental e Emiliano Jerónimo de Andrade, cerca de uma centena de reclusos frequentam o 1.º, 2.º e 3.º ciclos e também cursos profissionais.
Avelino Meneses aproveitou, ainda, este evento para fazer a entrega da obra completa de Emanuel Félix, que constitui parte de uma oferta do Governo dos Açores de mais de três dezenas de livros de poesia, editados pela Direção Regional de Cultura, a cada uma das cadeias existentes no arquipélago.
O projeto ‘A Poesia Não Tem Grades’, da responsabilidade de Filipe Lopes, que contou com apoio da Região, procura ajudar a criar hábitos de leitura numa população que, na sua maioria, tem uma reduzida escolaridade e provém de uma realidade social com poucos hábitos de acesso à cultura.
Trata-se de uma abordagem inclusiva e transversal, que procura incluir não apenas o trabalho direto com os reclusos, mas também iniciativas de sensibilização da população, com debates e tertúlias em diversos locais e com o envolvimento de instituições culturais ou indivíduos a título particular que pretendam participar em ações de formação que permitam criar competências e promover o surgimento de novos projetos de intervenção pela arte junto de populações com estas caraterísticas.
Este projeto, que vai decorrer nos Açores até ao final de janeiro de 2016, abrangerá também os estabelecimentos prisionais de Angra do Heroísmo e da Horta.
DL/Gacs
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