Jorge Rita, Presidente da Associação Agrícola de São Miguel (AASM), demonstrou a sua “indignação” pelo facto do Governo Regional já ter tomado posse há mais de cem dias e “muitas questões relevantes para o rendimento dos agricultores açorianos continuam por resolver”.
Jorge Rita criticou, em conferência de imprensa, esta sexta-feira, dia 10 de março, na sede da Associação Agrícola de São Miguel, a falta de resposta por parte do Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte.
O Presidente da Associação Agrícola de São Miguel, e também Presidente da Federação Agrícola dos Açores, salientou o facto da Segurança Social ter valores “exorbitantes” para os jovens agricultores instalados após 2011.
“De um pagamento de 33 euros mensais poderão passar a pagar, por exemplo, 700 a 800 euros, de acordo com as novas regras”, referiu Jorge Rita, demonstrando que esses valores põem em causa a viabilidade de muitas explorações agrícolas.
Por outro lado, o dirigente da Associação relembrou, que em dois anos, os agricultores perderam 70 milhões de euros por via da receita do leite e por esse não ter aumentado o seu preço.
“Não vi ainda nenhuma atitude do Secretário Regional perante o ministro da Agricultura, nem o ministro que tutela a Segurança Social, para resolver o assunto”, criticou o Presidente da AASM, salientando que se os agricultores não pagarem a Segurança Social atempadamente têm coimas entre os 50 e os 1500 euros.
Outro assunto abordado pelo dirigente da Associação Agrícola foi o pagamento por conta, quando as pequenas e médias empresas usufruem da redução progressiva do pagamento especial por conta, enquanto que os agricultores não são abrangidos por essa medida.
“Estamos a antecipar dois milhões de euros. Não sabemos se é para offshores ou por outra razão qualquer”, salientou Jorge Rita.
De relembrar, que 2000 associados pertencem à Associação Agrícola de São Miguel, enquanto que 12.000 agricultores, de todo o arquipélago açoriano, fazem parte da Federação Agrícola dos Açores.
Para o Presidente da Associação Agrícola de São Miguel, o atual líder parlamentar do PS na Assembleia da República, Carlos César, “pode muito bem ajudar” a resolver a situação dos agricultores.
Assim sendo, Jorge Rita defende que o apoio regional, aceite em Bruxelas, e implementado há um ano e meio, de 45 euros anuais, por vaca, seja mantido, tal como seja efetuada a regularização dos pagamentos aos agricultores, a organização dos produtores e o reforço do investimento público nas infraestruturas agrícolas.
“O setor continua em crise e não houve melhoria dos rendimentos dos agricultores”, declarou o Presidente da AASM.
Consequentemente, o dirigente da AASM espera que o Secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, faça “tudo o que tem feito, da forma como tem feito, mas que faça tudo o que está por fazer”.
Finalmente, Jorge Rita pretende, brevemente, entregar ao Governo Regional dos Açores, um documento com soluções, para se poder resolver rapidamente o problema da Segurança Social relativamente aos jovens agricultores.
DL/AS
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