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O mal não pode vencer

Álvaro Borges

Então falou o bravo Horácio,

O Capitão do Portão:

“A todo o homem acima desta terra
A morte virá mais cedo ou mais tarde.
E que melhor morte pode um homem desejar
Do que enfrentando riscos tremendos,
Em nome das cinzas dos seus antepassados
E dos templos dos seus deuses”

Thomas Macaulay

Faz-nos pensar que, num momento de grande incerteza e de combate, a Ucrânia resiste há quase 5 anos numa guerra profundamente violenta e injustificada. Milhares já perderam a vida pelo seu país. A liberdade, a justiça e a independência são muitas vezes equacionadas num cenário de paz ou de rendição.

Volodymyr Zelensky, um homem que recusou fugir e enfrentar o mal, é visto como um Churchill do nosso tempo. Como podemos negociar com um sanguinário ou com quem, de forma deliberada, ataca populações e espalha o terror na sociedade?

Devemos vergar-nos à tirania e ao imperialismo do mal que assombra a Ucrânia todos os dias?

Devemos esquecer os milhares de homens e mulheres que derramaram o seu sangue na defesa do seu país?

O sangue destes corajosos homens e mulheres não deve ser derramado em vão. A resiliência, a coragem e a bravura deste povo, unidas aos nossos aliados europeus, nunca se devem subjugar. Os nossos valores europeus não devem ser abandonados.

Liberdade, igualdade e integridade são valores de que não abdicamos. São valores que não estão à venda. A dignidade não é negociável.

Há dois objetivos fundamentais numa guerra: eliminar ou destruir a capacidade militar do inimigo ou a sua vontade de combater.

A Ucrânia, passados quase 5 anos, não se vergou, ao contrário do que muitos pensavam, acreditando que seria subjugada a um ritmo avassalador pelo invasor.

Todas as consequências que daí decorreram, e que ainda sentimos, principalmente no esforço diário da nossa vida coletiva, no que concerne ao encarecimento da vida, nunca nos podem fazer esquecer que homens, mulheres, idosos, doentes e crianças lutam todos os dias pela sua liberdade, pela sua terra, pela sua pátria, por uma vida normal. É o preço que paguem para que o mal não vença.

Lutam pelo direito de existir. Lutam pelo direito de se governarem a si próprios e de não serem um fantoche de outro Estado. Lutam diariamente, mesmo nas piores incertezas, para que o mal nunca triunfe.

Se estivéssemos no lugar deles, faríamos diferente? Receio que poucas dúvidas existam quanto à resposta a essa pergunta.

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