O fórum “Os desafios dos jovens agricultores e o futuro da PAC pós 2020” decorreu no Nonagon – Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel, na Lagoa, e permitiu o debate sobre os desafios e o futuro dos jovens agricultores açorianos.
Falando na abertura do debate, que decorreu esta quinta-feira, dia 25 de maio, o presidente da Associação de Jovens Agricultores Micaelenses (AJAM) salientou a importância deste fórum, principalmente para preparar os jovens agricultores a enfrentarem os desafios tanto internos à região como externos.
César Pacheco relembrou que a agricultura é um modo de vida e que o setor do leite, hortícolas, carne e vinho, representados neste debate, são o maior setor de economia da região e que, para além dos jovens agricultores, é fundamental que o Governo Regional entenda os desafios que os mesmos encontram diariamente.
No que diz respeito à Política Agrícola Comum (PAC) da União Europeia, o presidente da AJAM destacou a relevância da mesma, de forma a criar um nível de vida justo, principalmente com o aumento dos rendimentos. De relembrar que a PAC foi criada em 1962, tendo como principal objetivo garantir aos agricultores um rendimento em conformidade com os seus desempenhos.
Assim sendo, César Pacheco espera que, após 2020, haja um maior desenvolvimento da agricultura, com mais disponibilidade financeira, pois atualmente a conjuntura europeia dificulta, nomeadamente com os custos da segurança social, os acessos à terra e os créditos.
Por sua vez, Cristina Calisto, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, defende a importância de um empreendedorismo de base local, apostando nos recursos naturais, de forma a se poder competir a nível regional e internacional.
Por outro lado, a autarca, que falava também na sessão de abertura do evento, salientou ser fundamental a aposta na formação dos jovens agricultores, sendo que a Lagoa possui 271 explorações agrícolas, um número bastante relevante para o concelho.
A sessão de abertura contou ainda com a intervenção do Diretor Regional do Desenvolvimento Rural, que demonstrou todo o seu contentamento com este fórum, afirmando que o mesmo tem uma matéria pertinente para todos os agricultores, sendo a agricultura um desafio a nível regional, nacional e internacional. Na medida em que, nos Açores, a percentagem dos agricultores é superior à nacional e da Madeira, deve também permitir a fixação dos jovens nos meios rurais.
Por outro lado, Fernando Sousa referiu que a atenção dada pela União Europeia aos jovens agricultores açorianos não se tem revelado suficiente.
O Diretor Regional do Desenvolvimento Rural relembrou que, em 2013, existiam 11 825 explorações agrícolas nos Açores, cujo 21,6% das explorações estavam nas mãos de jovens agricultores com idades inferiores a 44 anos.
Relativamente à reforma da PAC, Fernando Sousa defende que se deve ter mais atenção na regulamentação produzida e que “encaixar tudo dentro dos mesmos moldes” é inconforme com a região dos Açores e a sua insularidade, provocando consequências gravosas. Assim, o Diretor Regional acredita que o desenvolvimento do sector agrícola passa pelo reforço do regime Posei.
Em discussão neste fórum estiveram dois painéis, sendo o primeiro sobre “Os desafios dos Jovens na Produção Agrícola”, que contou com a intervenção de Luís Dâmaso da Bovinaçor, Hugo Garcês da Yoçor, João Monteiro da Easy Fruits and Salads e Rui Jorge da Coop. Vitivinícola da ilha do Pico.
Quanto ao segundo painel, “Que futuro para a PAC pós 2020”, teve como oradores: David Gouveia, Diretor de Serviços e Competitividade do GPP, a eurodeputada do PSD, Sofia Ribeiro, Jorge Rita, presidente da Federação Agrícola dos Açores e João Ponte, Secretário Regional da Agricultura e Florestas, sendo que o moderador dos dois painéis foi o presidente da Associação Agrícola de Santa Maria, Duarte Moreira.
DL/AS
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