
Os profissionais do setor da Cultura nos Açores estão “indignados” com a redução de 27% no orçamento da região para 2023 relativamente ao setor. No ano em que a candidatura de Ponta Delgada a Capital Europeia da Cultura está na reta final e em que, reforçam “atravessamos um cenário de pós-pandemia em contexto de inflação”, o movimento cívico ‘Por uma capital europeia da Cultura nos Açores 2027” lamentam o “o desinvestimento do governo regional no setor” e apelam à “revisão do orçamento para o próximo ano através de um aumento de dois milhões de euros”.
Em causa está a anteproposta para o plano e orçamento de 2023, no qual as verbas para o setor da Cultura sofrem um corte de mais de 27% em relação a 2022. O movimento cívico que junta artistas, programadores, mediadores, agentes e outros profissionais do meio, e que tem trabalhado no sentido de valorizar a Cultura como motor de desenvolvimento na região, demonstra “incredulidade e indignação pelo facto de o governo não só não reforçar o seu compromisso político com a Cultura através de maior financiamento para o sector, como ainda propor um corte de mais de um quarto em relação aos valores de 2022, passando de 6,2 para 4,5 milhões de euros.”
“Este era o ano em que teria de haver um acréscimo nas verbas para o setor na medida em que estamos a finalizar uma candidatura a Capital Europeia da Cultura, com um júri atento ao compromisso político das autarquias e governos envolvidos. Estamos a sair de uma pandemia que foi arrasadora para o setor cultural, e a atravessar um momento de inflação que aumentará os custos com as atividades”, realçou Jesse James, um dos porta-vozes do movimento.
Jesse James lamentou que “o problema da suborçamentação no apoio às atividades culturais se mantenha” e sublinhou, ainda, que “houve cortes em rubricas estruturantes para a criação artística, usufruto cultural e valorização do património na região.”
Os cortes previstos “contrariam a estratégia nacional (e europeia) de pôr fim ao subinvestimento sistémico no setor cultural, que tem dificultado a sua profissionalização e capacitação, bem como a articulação com outros setores, como o turismo ou a educação”, acrescentou.
Assim, e considerando o crescente dinamismo do setor na região, o movimento cívico apela a uma “revisão positiva dos orçamentos para a Cultura através de um aumento de dois milhões de euros face a 2022”, montante que permitiria “minimizar o impacto da inflação, garantir condições de trabalho para que os profissionais possam continuar a produzir e permitir um reforço do regime jurídico de apoios a atividades culturais de forma a atingir o patamar de um milhão de euros.”
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