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Será Natal?

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Entramos no mês em que se comemora a festa do nascimento de Jesus. O Natal. Esta é uma época em que as pessoas, as crentes em particular, se sentem mais alegres consigo próprias, com um rejuvenescer da alma, com uma maior apetência para se lembrar do irmão mais próximo. É tempo de festejo. Engalanar as casas com luzes, enfeitá-las com adereços alusivos à quadra, preparar a ceia de Natal, adquirir lembranças para os familiares e os mais próximos. Ornamentar a árvore, que hoje são cada vez mais “artificiais, montar o presépio, são obrigações em quase todas as “grutas” que nos albergam. A azáfama por esta altura é grande e ninguém fica indiferente. E a quadra prolonga-se, pelo menos até ao ano novo.

Esta é a “forma”, descrita aqui sucintamente, das pessoas comemorarem uma festa religiosa, com muito consumismo a acompanhá-la, há centenas de anos, para não dizer milhares, enraizada na vida dos seres humanos. Mas, como em tudo nesta vida, existe o reverso da medalha. Enquanto muitos, graças a Deus, irão preparar o seu Natal condignamente, que até poderá ser com um mínimo, mas “acolhedor”, quantos e quantos que embora imbuídos da mesma vontade não o poderão fazer.

Desempregados, doentes, idosos, “deportados”, mesmo aqueles em que a aparência nos pode iludir, e essencialmente crianças. Estas, as crianças, sem perceberem porquê. Será Natal?

Quantos pais desempregados, em muitos lares os dois pais, recebendo um mísero subsídio do fundo de desemprego, como que de uma esmola se tratasse, não irão naquela noite em que se comemora o nascimento do “ Salvador “ estar sentados a uma mesa em paternidade com os filhos, apresentando-lhes uma mesa cheia de muito…pouco, por vezes nada. Bem sei que há sempre um vizinho, um amigo, um familiar que, com um pouco mais do que eles, se compadece e “estende” um pouco da sua mesa. Também muitas instituições de solidariedade e até “privadas” nesta época manifestam a sua “bondade” e “fazem-se” presentes. Será Natal?

E que dizer dos doentes, por vezes numa fase já de partida, sem esperança e muitas fezes já sem fé, por vezes sozinhos. Mesmo que acompanhados, que pensarão nesta altura da vida? Será Natal?

E os idosos, muitos abandonados à sua sorte, com reformas de “nada”, sozinhos, ou a viverem em lares de 3ª idade, muitos deles que ao longo de uma vida trabalharam de sol a sol, (outros tempos) sofreram as agruras de uma vida, na esperança que no fim a vida lhes sorrisse. Será Natal?

E os “deportados”, essas pessoas que foram duplamente castigadas, enviadas para uma terra que a muitos nada lhes diz, que muitas vezes são acusados injustamente de serem uma “chaga” social, quase todos eles sozinhos, sem rumo de vida e sem alma. Também será Natal?

E por fim as crianças. Que culpa têm elas de serem fruto do amor, esse amor que agora se comemora, em companhia da solidariedade, e que muitas delas viverão essa noite com frio, com fome e sem uma lembrança. Será Natal?

O Natal é sempre quando o homem quiser, assim diz o provérbio. Pois até poderá ser, mas com as dificuldades que quase todos estão a viver, sim porque alguns há que estão noutra “galáxia”, já é bom que seja comemorado na sua plenitude, com simplicidade, fraternidade e solidariedade nesta sua época “oficial”. Porque, a não ser assim, será Natal? 

Bom e Santo Natal para todos.

Jorge Machado

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