Desde que o Bloco de Esquerda, experimentou uma liderança partilhada, que outros órgãos políticos, lhe seguiram os passos. Enquanto no partido do Bloco, a liderança era bicéfala, agora, no governo português a gestão é tricéfalo.
De facto, António Costa, apesar de ter o nome de primeiro-ministro, pouco ou nada manda, sendo Catarina Martins quem mais manda no governo da república, secundada pelo líder do Partido Comunista, Jerónimo Sousa.
Dizem, que esta “invenção” da geringonça partiu do açoriano Carlos César, que desde que chegou à capital, tinha intenção de pertencer ao governo da república, a qualquer custo.
Acredito que sim. Nos Açores, Carlos César, fez igual:
Tem um presidente do Governo dos Açores, que pouco ou nada manda;
Tem um Vice-Presidente do Governo, que manda mais que o Presidente;
Tem o próprio Carlos César, que embora à distância, manda mais que os dois principais responsáveis do Governo Açoriano. Talvez por isso, mantém a esposa no Palácio de Santana e o filho no Parlamento Regional, para que nada lhe escape.
Estamos perante a Geringonça Açoriana.
Foi esta Geringonça, que parece ter ficado muito ofendida, à declaração que Pedro Passos Coelho fez nos Açores, onde referia que o PS, só sabe governar distribuindo dinheiro.
Será mentira? O governo regional do partido socialista foi sem dúvida o governo que, desde a história da autonomia, mais dinheiro recebeu da República e da Europa e que, apesar disso, não consegue retirar os Açores dos últimos lugares do Pais, quando se fala em desenvolvimento económico.
Se analisarmos o Índice Sintético de Desenvolvimento Regional, publicado pelo Instituído Nacional de Estatística, em 15 de junho deste ano, relativo ao ano de 2014, podemos chegar a essa conclusão.
O Índice Sintético de Desenvolvimento Regional, baseia-se num modelo de desenvolvimento regional, estruturando-o em três componentes: competitividade, coesão e qualidade ambiental”.
Vejamos então os componentes individualmente, no contexto das 25 regiões dos pais, que o INE considera neste estudo:
Em relação à competitividade, os Açores, ocupam do vigésimo lugar, no contexto das 25 regiões e ficam ao nível da maioria das regiões do interior.
Sendo a competitividade, de acordo com o INE, “um índice para captar o potencial de cada região em termos de competitividade, assim como o grau de eficiência na trajetória seguida e, ainda, a eficácia na criação de riqueza e na capacidade demonstrada pelo tecido empresarial para competir no contexto internacional”, seria de esperar que, com os fundos que o GRA teve à sua disposição, estivéssemos numa posição bem melhor.
Em relação à Coesão, os Açores, ocupam do vigésimo quinto, no contexto das 25 regiões. Ou seja, somos a pior região a nível nacional.
Ora, o que se pretende saber com este índice de Coesão? De acordo com o mesmo documento, “O índice de coesão procura refletir o grau de acesso da população a equipamentos e serviços coletivos básicos de qualidade, bem como os perfis conducentes a uma maior inclusão social e a eficácia das políticas públicas traduzida no aumento da qualidade de vida e na redução das disparidades territoriais”. Ora, mais uma vez aqui se dá nota que, apesar das verbas que a Região tem recebido, estes resultados, os piores dos pais, não são certamente resultado de uma boa aplicação dos fundos.
Por último vejamos o Índice de qualidade Ambiental. Aqui, a região, certamente devido às suas condições únicas de natureza, mas também a boas práticas ambientais, ocupa um nono lugar. No entanto muito se pode ainda fazer certamente, pois os nossos colegas ilhéus, Madeirenses, ocupam o quarto lugar neste ranking.
Vejamos então o que se pretende avaliar com este índice de qualidade ambiental, segundo a referida revista do INE: “A qualidade ambiental está associada às pressões exercidas pelas atividades económicas e pelas práticas sociais sobre o meio ambiente, mas também aos respetivos efeitos sobre o estado ambiental e às consequentes respostas económicas e sociais em termos de comportamentos individuais e de implementação de políticas públicas”.
Por último, analisemos então o índice Sintético de Desenvolvimento regional, que, como foi referido anteriormente, é o resultado do desempenho conjunto dos três índices atrás referidos: Competitividade, Coesão e Qualidade Ambiental.
Neste contexto, podemos ver que os Açores estão em vigésimo quinto lugar, no conjunto das 25 regiões portuguesas em estudo, portanto o último lugar do Pais, em matéria de desenvolvimento regional. È isso, o melhor que a Geringonça Açoriana sabe fazer.
Por Rui Meneses
(Crónica na edição Impressa de setembro de 2016)
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