Passou mais um verão e os comerciantes já faz contas, especialmente na área do turismo. Na Lagoa, o presidente do Núcleo de Empresários da Lagoa – NELAG, faz um balanço positivo deste verão de 2015 no turismo no concelho, mas muito longe dos dados de anos anteriores.
Em declarações ao Jornal Diário da Lagoa, Norberto Ponte reforça, uma vez mais, que o turismo das LowCost ainda não se faz sentir no concelho.
O presidente dos empresários lagoenses diz que os aumentos registados ficam muito aquém de outros anos. “A oferta turística da Lagoa não é das melhores, há a necessidade de ter mais para oferecer”, reforça Norberto Ponte que adianta que fazem falta unidades hoteleiras.
O responsável admite haver a necessidade de serem construidos um ou dois hotéis, especialmente na Cidade, sendo um fator primordial para cativar os turistas. “Sem hotéis não há turistas e basta olhar para o exemplo de Ponta Delgada em que, este ano, as várias unidades hoteleiras voltaram a estar esgotadas”.
Norberto Ponte reforça a sua posição com os números divulgados pela Pousada de Juventude da Lagoa, que demonstram que entre o período de abril e agosto de 2014 e o período homólogo de 2015, verificou-se neste equipamento, uma subida de turistas internacionais de 10,2% e uma expressiva subida de turistas nacionais de 90,2%. Em 2015 a Pousada de Juventude de Lagoa registou um crescimento nas dormidas, entre abril e agosto de 2015 de 46,2%.
Perante estes dados, o presidente do NELAG volta a reforçar que se houvesse maior oferta no concelho, logicamente seria maior a procura.
A construção destas novas unidades deveriam igualmente passar pelo governo regional e autarquia que, em conjunto, com legislação própria, poderiam promover a abertura das mesmas incentivando a sua construção junto dos privados.
O responsável recorda que no concelho existe apenas um Hotel, mas que tem um produto próprio para oferecer, com uma carteira de clientes própria. “No centro da Cidade não há nada para oferecer, há apenas uma residencial, mas que tem igualmente a sua limitação, não sendo o suficiente.
Norberto Ponte considera que este efeito no turismo acaba por afetar a própria restauração, que é o ex-libris da Lagoa. “Temos uma restauração de qualidade, conhecida e falada, mas sem turistas também não é fácil sobreviver, apesar de se terem registado números interessantes este verão”, realça.
Segundo refere nesta entrevista ao nosso jornal, a restauração viu o número de refeições servidas a aumentar, mas continuam igualmente aquém de outros anos, considerando mesmo ser difícil atingir tais números com o atual quadro e pela redução da oferta turística no concelho.
Norberto Ponte recorda que a direção do NELAG reuniu recentemente com a presidência da autarquia lagoense onde foram analisadas questões para tentar inverter esta situação que se vive no concelho. “O NELAG irá enviar brevemente uma lista de intenções daquilo que é necessário para o concelho, situações que fazem falta essencialmente no centro da cidade para que possa ser combatida esta questão e melhorar os níveis de turismo no concelho”, referiu.
Dando alguns exemplos do que poderá ser feito, Norberto Ponte considera que existe pouca sinalização, pouca informação do concelho. “Um turista que chegue à Lagoa não sabe para que lado fica os restaurantes nem próprio convento ou as igrejas,”. Considera o representante dos comerciantes lagoenses que é necessário generalizar a informação e fazer com que esta chegue mais rapidamente aos turistas.
O responsável admite algumas lacunas na divulgação do concelho na informação turística dos Açores, onde não se sabe ao certo o que este tem para oferecer aos turistas ao chegarem à ilha.
Norberto Ponte considera que o próprio governo regional, ao vender os Açores, tem de fazer chegar a mensagem do que cada ilha e cada concelho tem para oferecer, sendo esta uma lacuna que urge resolver.
Governo chumba projeto da restauração da Lagoa
Norberto Ponte alega que o executivo tem ajudado pouco a restauração da Lagoa, uma vez que tem vindo a reprovar projetos que tem sido apresentados para reabilitação dos restaurantes.
O presidente do NELAG recorda que o executivo chumbou recentemente novos projetos da restauração alegando questões de natureza estratégica. O responsável considera ser um revés muito grande face às pretensões dos comerciantes do ramo.
“O NELAG já esgotou todas as posições que tinham em seu poder, levando sempre a nega por parte do executivo, há mais de quatro meses que aguardamos uma audiência com a direção regional do turismo”.
Segundo Norberto Ponte tratava-se de um projeto plurianual, para ser executado durante três anos, e que versava várias questões, desde uma nova estratégia para a restauração, a criação de uma plataforma interativa e principalmente a requalificação dos recursos humanos, sendo esta uma necessidade urgente.
Face às várias contrariedades financeiras, com a recorrente falta de apoio, o NELAG viu-se obrigado a não cumprir o seu plano de atividades. “O nosso Plano de Atividades esteve este ano em causa devido à falta de apoio, estamos apenas a tentar cumprir com os nosso compromissos mas toda atividade programada para este ano ficou sem efeito”, recordou.
Atualmente estão a ser analisadas as possibilidades de apoio a realização do Mercadinho de Natal, a realizar em dezembro, assim como o apoio ao tradicional Dia das Montras a decorrer a 8 de dezembro.
Em termos empresariais, apesar de haver o registo de algumas empresas que tem vindo a encerrar no concelho, face às dificuldades que são transversais em todo o mundo, há também a abertura de algumas outras empresas que tem vindo a surgir ultimamente, demonstrando que na Lagoa há capacidade para investir. “Esta é uma situação que demonstra que a Lagoa tem muito para dar, trata-se de um concelho dinâmico. Temos de deixar de ser conservadores”, destacou.
Norberto Ponte recorda que o Mercado Municipal é uma obra que urge avançar com a sua construção, sendo que esta será,sem dúvida, uma obra importante e impulsionadora para a Lagoa.
A questão da Fábrica do Álcool urge igualmente arranjar uma solução, onde o responsável chama a atenção para o governo regional de, uma vez por todas, decidir o que ali se deve fazer. “Este é um local com muito potencial, e os lagoenses sentem-se lesados por não haver dinâmica naquele espaço que muito diz a este concelho. A Fábrica do Álcool muito pode dar ao turismo lagoense”, refere.
Norberto Ponte diz ser lamentável ver esta fábrica no estado em que se encontro. “A fábrica tem um aspeto terceiro mundista inadmissível”.
O representante dos comerciantes lagoenses deixa mesmo um desafio, “porque não fazer daquele espaço, um mercado gourmet que poderá ser, quem sabe, a alavancagem do turismo na Lagoa”.
DL
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