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Muitos falam e não dizem nada. Ele fala e diz tudo!

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Mais uma vez Francisco fala de modo a que toda a gente entenda.

Muitas vezes e de muitos modos, o Papa Francisco, têm -nos falado do drama dos refugiados, mas desta vez falou do modo mais percetível de todos com um gesto que vale mais do que todas as palavras que dele já escutamos.

Recentemente Francisco reuniu-se com os líderes ortodoxos gregos, na Ilha de Lesbos, para alertarem o mundo, através de uma declaração ecuménica, para o drama humanitário dos refugiados. O documento foi assinado no final de uma visita que os três líderes religiosos fizeram a um campo de refugiados, naquela que é considerada como a «Ilha da Solidariedade», porque sabe acolher os milhares de refugiados que lá chegam diariamente, porque muitos seus atuais habitantes, por motivos históricos conhecem bem o drama de serem forçados abandonar um país.

Mais uma vez o Papa não ficou pelas palavras ditas ou escritas, ainda que importantes, mas seguramente menos eficazes do que as palavras feitas vida.

Francisco trouxe consigo, para o Vaticano, três famílias sírias, com um único critério de seleção, eram as que «tinham os papéis em ordem e era possível avançar». No mesmo campo existem refugiados Cristãos e Muçulmanos, todos, gente como a gente, que simplesmente querem viver, ser pessoas, ser família, longe do horror da guerra. Por isso, na hora de acolher o facto destas doze pessoas serem Muçulmanas, não o fez recuar, porque Ele sabe, e relembra-nos constantemente, que o nosso Deus tem um único nome: A.M.O.R., como canta Pedro Abrunhosa, num feliz poema seu, feito canção.

Quando se fala deste modo só não entende quem não quer. É por isso que faço minha a pergunta da Jornalista do Expresso, Joana Azevedo Viana: «O que é que o mundo vai fazer com o gesto do Papa?» …Não sei!

A única certeza que tenho, é que este gesto do Papa, fez-me parar, pensar, rezar e renovar a minha mais íntima e verdadeira razão de existir: acolher e educar cada vez mais para o A.M.O.R. porque é Ele é a verdade, o caminho e a vida para tudo e todos. A única solução, a única garantia eterna para um novo Céu e uma nova Terra.

E quando a força, o entusiasmo, me faltar espero ter a coragem de voltar à «Ilha da Solidariedade» para reaprender de Francisco a passar da palavra dita ou escrita á palavra vivida, porque «o Palavra que se fez carne e habitou entre nós» é Jesus a minha forma de chamar o A.M.O.R.

Por: Pe. Nuno Maiato
(Publicado na edição impressa de maio de 2016).

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