Log in

O horror em Bruxelas

açores-noticias-cronica-jornal-Diario-Lagoa-Paulo-Casaca

O ensaio tinha sido há quatro meses! Bruxelas esteve paralisada quase uma semana depois do ataque de Paris de 13 de Novembro porque havia informações claras de um ataque iminente a transportes e outros locais públicos dificilmente defensáveis.

A informação estava certa, mas o calendário foi outro. O dia escolhido foi hoje! Só quando saiu o comunicado do ISIS de reivindicação às 16H20 hora de Bruxelas, se respirou fundo. Enfim, já devem ter dado por terminada a atividade do dia. Até que outro dia venha…

Nesta batalha, penso que estamos perante cinco atitudes típicas das quais só uma me parece aceitável.

1. Os partidários da conspiração sionista universal

Para estes, os judeus são sempre os culpados de tudo. Mandam na finança, e logo nos EUA e passam a vida a efabular formas de fazer mal, seguindo o Protocolo dos Sábios do Sião ou qualquer outra coisa do género. Normalmente fazem o prodígio de ser os autores morais ou materiais de tudo o que há de mal. Eles são também as primeiras vítimas. Mas isso é só para disfarçar.

O antissemitismo é uma doença com raízes históricas profundas que alastrou a partir do século XIX e se tornou endémico e galopante a partir dos anos trinta do século passado, assumindo a sua versão mais radical com o Nazismo e a sua solução final.

Depois da segunda guerra mundial centrou-se no Médio Oriente – para onde diga-se de passagem foram reciclados uma boa dose de criminosos Nazis – e tornou-se no princípio primeiro do jihadismo, a psicopatia de massas que ocupou o lugar antes deixado vago pelo nazismo.

Embora nada chegue perto da intensidade com que a doença se faz sentir no mundo islâmico, afeta um número enorme de pessoas por todo os continentes, da direita à esquerda passando pelo centro.

A doença faz-se notar por um bloqueio mental que impede as pessoas de refletir e de juntar alegações com o objetivo de ver se elas têm alguma credibilidade ou racionalidade. Em casos mais sérios, mesmo com os olhos nos factos e nas pessoas, as alegações alucinadas continuam.

2. Os anti-imigrante

Uma legião não menos vasta de cidadãos estimulada por uma legião de políticos demagogos, está convencida que tudo se resolve com polícia e com encerramento de fronteiras e que o problema está nos refugiados.

O mais famoso terrorista do momento, o Salah Abdel Salam, nasceu e viveu bem no centro de Bruxelas, de resto a 300 metros do sítio onde viria a ser preso, em companhia de “amigos”. A doutrinação jihadista teve-a aqui, na capital das instituições europeias e da Aliança Atlântica (e também da Bélgica).

Os amigos que o acolheram, e que conseguiram fazer com que o homem mais procurado na Europa escapasse quatro meses à porta de sua casa, também não vieram com os refugiados, estavam por aqui já há muito tempo.

Se não são eles, então são os seus pais, que foram imigrantes. Temos aqui uma lógica de estigmatização social, racial e cultural que porá em causa os nossos valores e acabará por fazer com que todos os que têm uma origem muçulmana sintam um ímpeto de solidariedade jihadista.

A batalha mais importante do momento do jihadismo é interna. Trata-se de destruir as possíveis alternativas que se possam abrir aos muçulmanos, que sendo muçulmanos nada têm a ver com o jihadismo.

Se eles são perseguidos pelo nome que têm, se aqueles que fogem do jihadismo são tratados como se fossem eles os jihadistas e não as suas vítimas, então o mundo muçulmano será obrigado a render-se ao jihadismo como única forma de sobrevivência.

A paranoia antimuçulmana é a forma mais eficaz de transformar os desejos do jihadismo em realidade.

3. Os apaziguadores

Hoje como ontem, a maioria dos dirigentes políticos e uma importante fração da população acha que no fundo, se não formos muito incómodos com os jihadistas, estes acabarão por se tornar em pessoas cordiais ou que pelo menos não nos causam problemas, dedicando-se a matar judeus ou outras personagens que são estranhas à maioria de nós.

O medo – ou por vezes o pânico – que sentem perante horrores como os vividos hoje em Bruxelas leva-os a ser também eles incapazes de raciocinar ou pelo menos de aprender com a experiência.

Guardam sempre a profunda convicção irracional de que se fecharem os olhos e não virem o que está á frente deles – como as consequências catastróficas da proliferação da doutrinação fanática – se forem simpáticos com os jihadistas, então estes acabarão por sossegar e tudo terá um final feliz.

O apaziguamento em casos mais graves evolui para uma síndroma de Estocolmo. Aqui o apaziguador identifica-se mesmo com o jihadista e passa a partilhar dos seus ódios contra judeus, mulheres emancipadas, homossexuais, etc.
A lógica do apaziguamento funciona tanto no plano interno como no plano internacional.

4. Os amorais

Para estes não existe moral só existem interesses. A moral é burguesa ou aquela coisa “católica” que já não se usa. Se os jihadistas tiverem força que chegue, porque não trabalhar com eles ou para eles?

As maiores barbaridades passam a ser possíveis e as maiores mentiras podem passar a valer como verdades.
Qualquer destas quatro atitudes é acumulável, e torna as coisas potencialmente mais perversas.

5. O Humanismo

O humanismo é o que precisamos de ter em doses reforçadas para fazer frente ao jihadismo. A profunda convicção do valor da vida humana; a profunda convicção de que tudo deve ser feito para que todos possamos viver melhor.

E isto quer dizer enfrentar demagogias, racismos conspirativos, amoralidade, quer dizer dar a mão aos nossos irmãos muçulmanos ou não que estão na batalha contra o jihadismo, ter a coragem, a determinação e a frontalidade de afrontar a besta da forma mais inteligente e mais eficaz possível, mas enfrentá-la.

Bruxelas, 2016-03-22
Por: Paulo Casaca

avatar-custom

Diário da LagoaNotícias que contam

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

CAPTCHA ImageAlterar Imagem