
A Polícia Judiciária desencadeou uma operação de combate ao tráfico internacional de estupefacientes por via marítima, designada por “Operação Cristal” que resultou de complexa investigação que decorreu nos últimos anos, visando desmantelar uma organização criminosa de cariz internacional, com atuação transcontinental, dedicada à introdução de grandes quantidades de cocaína no continente europeu e que utilizava Portugal como plataforma.
Face à natureza e relevância da situação, foi criada uma equipa de investigação conjunta, entre a Polícia Judiciária e a brigada de investigação do crime organizado do corpo nacional de polícia, ao abrigo do Eurojust, no contexto da cooperação judiciária e policial, com as autoridades do Reino de Espanha e a Europol.
A “Operação Cristal”, que contou com o apoio da Força Aérea e da Marinha Portuguesa, através de um dos seus navios, permitiu localizar e intercetar em alto mar, uma embarcação de recreio, suspeita de ser utilizada no transporte de grande quantidade de produto estupefaciente, nomeadamente cocaína.
A embarcação em causa, um veleiro com cerca de catorze metros de comprimento, fazia a travessia do oceano Atlântico, entre a América do Sul e a Europa. Tripulado por dois homens estrangeiros, foi intercetado a norte do grupo Ocidental dos Açores, pelos fuzileiros do destacamento de ações especiais da Marinha, tendo os tripulantes sido detidos na posse de cerca de mil quilos de cocaína.
Face às deficientes condições de segurança e navegabilidade da embarcação, os dois tripulantes e o produto estupefaciente foram transportados para o navio da Marinha, que os conduziu para terra. Durante a viagem para Ponta Delgada, o veleiro, já vazio, viria a afundar.
Paralelamente, foram efetuadas buscas domiciliárias em diversos lugares do território nacional, sendo detidos seis suspeitos, cinco dos quais no cumprimento de mandados de detenção.
Das ações de busca resultaram a apreensão de uma embarcação de recreio, iate a motor, três viaturas, diverso equipamento sofisticado de comunicações, documentação relevante para a investigação, significativa quantidade em numerário, várias wallets de criptomoeda, joalharia e relojoaria de elevado valor.
Os suspeitos, de diversas nacionalidades (europeias e sul-americanas), já tinham antecedentes policiais e judiciais por crimes de tráfico de estupefacientes, branqueamento e associação criminosa. Os detidos no veleiro foram já presentes às autoridades judiciárias competentes no tribunal de Ponta Delgada, tendo-lhes sido aplicada a medida de coação de prisão preventiva.
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