
Com três treinos, apenas, a equipa principal do Operário fez o seu primeiro jogo treino. Um jogo que acabou por correr de feição, tendo os fabris alcançado a sua primeira vitória, na preparação da época, onde irá competir no Campeonato de Futebol dos Açores.
Mas, se no jogo o resultado foi positivo, a verdade é que a vida está difícil para a equipa da Lagoa, que está a passar por um momento difícil da sua história.
As dificuldades em conseguir financiamento são sabidas, e são poucos, muito poucos, os que se chegam para o clube para que possa ser possível dar a volta por cima. “Financeiramente o clube continua na mesma, sem apoios, não há quem se chegue para ajudar o clube”, adianta Gilberto Branquinho.
Em declarações ao Jornal Diário da Lagoa, o presidente do clube lagoense diz esperar um campeonato muito competitivo, a par do que aconteceu na última época. “Vamos jogar com as nossas armas. Existem alguns jogadores que vêm do ano passado, que já estão habituados à Série Açores, e temos outros novos que terão que se habituar a este futebol”.
Gilberto Branquinho fala numa dificuldade acrescida, o facto da obrigatoriedade de estar na ficha de jogo 12 jogadores de formação local, o que para a equipa Lagoense, nesta fase, acaba por ser difícil. “Não existem jogadores locais e em Portugal continental, os locais, também são poucos os que estão disponíveis, existem jogadores estrangeiros, mas só teremos os possíveis”.
Trata-se de uma equipa que vai sendo construída a conta-gotas, mas com jogadores jovens com alguma qualidade, adianta o presidente do clube fabril.
Gilberto Branquinho fala na necessidade de apostar no jogador jovem, que pretende alcançar um patamar superior, porque não é possível, ao clube, nesta fase, contratar jogadores já feitos, porque saem muito caros e não há capacidade financeira para tal.
A formação bateu no fundo
O clube irá apostar uma vez mais na formação, estando as inscrições abertas. A formação que terá a coordenação do professor Pedro Sousa, que possui o nível III, técnico, este, que desempenha as funções de adjunto de Sidónio Ferreira na equipa principal.
Segundo Gilberto Branquinho, trata-se de um professor que tem as suas ideias de como se faz formação, “temos que respeitar”.
O presidente do Operário admite que a formação decaiu muito nos últimos anos. “Os jogadores já vêm com falta de ambição e uma mentalidade nada propícia para o futebol, sendo que os pais também têm que alterar o seu conceito de formar, que não pode ser apenas no âmbito desportivo”.
Gilberto Branquinho diz que “não há nada que não se renove e que não se altere. Vamos ver até onde irá esta renovação e esta mentalidade de praticar desporto e treinar”.
O clube aposta numa começar do zero na formação, numa tentativa de mentalizar as pessoas mas sempre com o mesmo intuito, ou seja, o de dar atividade física e tentar perceber se há uma mudança maior.
Sidónio Ferreira quer compromisso dos jogadores
A equipa técnica volta a ter como treinador principal Sidónio Ferreira, tendo como adjunto Paulo Sousa e Vivisson André como novo diretor desportivo.O téc
nico fala num novo desafio que não é nada fácil, mas sempre com o objetivo de ombrear este clube, apesar das dificuldades bem conhecidas de todos que o Operário atravessa. “A direção do clube tudo tem feito para que o Operário possa competir e possa ser sempre um digno representante da Lagoa como tem sido até aqui, e gostava que mais gente, e as instituições legais da Lagoa, se aproximassem do clube para ajudar”, diz o técnico fabril, adiantando que “trata-se de um clube que merece e que eleva o nome da Lagoa em todo o lado, não só nos Açores mas também no continente português, por isso gostava que as pessoas se aproximassem porque este também merece mais das entidades lagoenses”, desabafa.
Em relação ao plantel, é uma vez mais renovado onde se espera o empenhamento total dos atletas. Sidónio Ferreira espera muito trabalho neste que é um novo desafio igualmente para si como treinador e para os jogadores.
O técnico recorda que existem alguns jogadores da época passada, mas a maioria são novos. “É um plantel que se vai sendo construído à medida das possibilidades do clube, de onde se espera competência e muita lealdade porque é isso também o apanágio do meu trabalho”, salienta Sidónio Ferreira.
Ao jornal Diário da Lagoa, o técnico fala numa equipa em construção e que começou de forma atrasada em relação aos adversários, mas na parte que lhe compete, está empenhado e focado, com a restante equipa técnica, para construir a equipa o mais rapidamente possível, para que depois sejam alcançados os objetivos na época.
A 22 de setembro é dado o pontapé de saída do Campeonato de Futebol dos Açores, onde o Operário irá receber, na Lagoa, no campo João Gualberto Borges Arruda, o Fayal Sport, equipa da ilha do Faial.
Recorde-se que na Liga ESO RE/MAX estarão dez equipas: Clube Desportivo Rabo de Peixe, Clube Operário Desportivo e Grupo Desportivo São Roque (ilha de São Miguel); Sport Angrense, Sport Lusitânia e Boavista da Ribeirinha (ilha Terceira); Sporting de Guadalupe e Sport Marítimo (ilha Graciosa); Fayal Sport Club (ilha do Faial) e Vitória Futebol Clube (ilha da Pico).
DL
(Artigo publicado na edição impressa de setembro de 2019)
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