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Ordenação de Fábio Silveira na Sé de Angra fecha ciclo histórico e abre interregno de três anos na diocese

Natural da ilha do Pico, o novo sacerdote de 37 anos será o último a receber formação integral em território açoriano. A Diocese de Angra passará a centralizar o percurso formativo dos novos seminaristas na cidade do Porto

© IGREJA AÇORES

A Sé Catedral de Angra prepara-se para acolher, no próximo domingo, pelas 16h00, um momento de profunda relevância e transição para a Igreja açoriana. O diácono Fábio Silveira, de 37 anos e natural da ilha do Pico, será ordenado presbítero, tornando-se formalmente o último sacerdote a cumprir todo o seu percurso formativo nas instalações do Seminário Episcopal de Angra. A celebração assinala o encerramento de um ciclo histórico na instituição, coincidindo também com a homenagem a sete sacerdotes que celebram os seus jubileus de 25, 60 e 70 anos de ordenação. Conforme explica a notícia publicada no Sítio Igreja Açores, o futuro sacerdote encontra-se atualmente em retiro espiritual de preparação para a confirmação do seu compromisso definitivo.

Este acontecimento moldará o panorama eclesiástico regional a curto prazo, uma vez que a Diocese de Angra enfrentará agora um período de três anos sem novas ordenações sacerdotais. A situação decorre da recente reorganização eclesiástica, que passou a integrar os seminaristas açorianos no Seminário do Porto e na Universidade Católica. De momento, dois candidatos encontram-se a frequentar o primeiro ano do mestrado em Teologia em território continental. O reitor do Seminário Episcopal de Angra, padre Emanuel Valadão Vaz, desmistificou o cenário de hiato, recusando qualquer tom alarmista e sublinhando que o foco institucional permanece no acolhimento rigoroso das vocações. O responsável frisou que a vinda destes dois seminaristas está prevista para daqui a um ano e três meses, período após o qual cumprirão o ano pastoral e o respetivo estágio antes da ordenação.

Diante do novo modelo, a instituição tem procurado reajustar as suas valências formativas às exigências contemporâneas, conferindo um protagonismo renovado à dimensão prática e ao contacto direto com as paróquias. O reitor defendeu que a dinâmica vocacional deve ser assumida como uma responsabilidade coletiva de todas as comunidades locais e não um dever exclusivo do seminário, sustentando a necessidade de se criar uma rede de proximidade e compaixão capaz de acompanhar os jovens no seu discernimento pessoal.

Apesar do interregno previsto nas ordenações, o próximo ano letivo traz novos indicadores de renovação para a diocese com a entrada de três novos candidatos ao sacerdócio no ano propedêutico, a realizar-se igualmente no Porto. O novo grupo junta-se aos três estudantes que já ali se encontram em formação. Entre os novos ingressos contam-se André Rodrigues, da ilha Terceira, e dois jovens da ilha de São Miguel, Jefferson Pontes e Tomás Correia. Para a reitoria do Seminário, embora os indicadores numéricos globais sejam contidos, estes novos percursos representam sinais claros de esperança e continuidade para o futuro da Igreja nos Açores.

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