
Clife Botelho
Diretor do Diário da Lagoa
Chegamos a 2024, prestes a celebrar dez anos da fundação na Lagoa do seu décimo quarto jornal, o primeiro na era da Lagoa cidade. Continuamos a não agradar a todos e ainda bem, sinal de que não pensamos todos da mesma forma.
O Diário da Lagoa dá para folhear em papel ou para fazer “scroll” na internet, porém assume a consciência que o jornalismo local é para ser lido por um público global. E é com os nossos leitores que aprendemos a apreciar o que nos faz escrever com tempo, por isso ao folhear num novo ano, há que elencar o que destacamos para os próximos 365 dias: a política e o jornalismo. Que vão andar lado a lado. Como sempre andaram.
No panorama político nacional e, também, regional, com o ano que findou, à esquerda e à direita, perdemos todos. Outrora causa nobre, hoje em dia pobre causa. Pobre em valores, pobre na palavra, pois basta assistir a hemiciclos, plenários e conferências em que, salvo algumas exceções, o valor da palavra escasseia. Já são poucos os que acreditam e teme-se que, com três eleições num único ano, o fantasma da abstenção se agigante ainda mais.
Do mesmo modo, aos jornalistas, dirão que o jornalismo está em crise. E concordamos, vivemos tempos estranhos. Mas que não se calem as nossas canetas, ou melhor, os nossos teclados, transpostos para o papel de jornal porque é momento de escrutinar sem medo. Àqueles que nos tentam intimidar: o conhecimento é poder. O que se passa nos media um pouco por todo o mundo não é só preocupante, exige reflexão. É a ponta do iceberg de uma crise no setor onde os próprios jornalistas são reféns. Ou o jornalismo se reinventa ou é substituído. Às novas gerações, em respeito para com os seus antecessores, seja na política, seja nas redações, há que fazer valer o valor que uma palavra tinha no tempo dos nossos avós, pois há umas quantas gerações em que tudo o vento levou.
Um verdadeiro jornalista não se entrega a agendas, nem a poderes de qualquer índole, muito pelo contrário, observa, escrutina, distancia-se e questiona. Recordo o que um sábio professor me disse: “sem questionamento não há aprendizagem”. Antes de votar, questione-se. Antes de escolher onde e como investir o seu tempo, questione-se de que forma vale a pena. Só depois de se interrogar, decida. Pessoas informadas têm poder. E informação implica pensar e questionar o que se apresenta. Mesmo vivendo tempos difíceis, os jornalistas continuarão a fazer o seu trabalho: mostrar o mundo como ele é, dando ferramentas a quem nos lê para pensar e decidir, em consciência, sobre o futuro da região, do país e da Europa. Bom ano a todos!
Comentários
Muito bem. Bom ano!