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Tofu no feminino

Maria Chaves Martins

Qual é o partido que não é de esquerda, nem de direita, e nem é carne, nem é peixe, mas é tofu? Apesar de sincrético, está num espetro político de centro progressista – uma bússola para o centro progressista, moderado num ecossistema de radicalismos.

Dúvidas não restam de que o PAN é um partido de causas e não de ideologias rígidas, posicionando-se como uma alternativa moderada, sobretudo num cenário de crescente polarização política.

Provas estão dadas de que não é só a causa animal, mas também a ambiental e a social, especialmente no que respeita ao combate à ideologia de género.

O PAN é “o” partido da causa animal, o partido que mais defende os direitos dos animais, ponto.

Não obstante, numa altura em que é óbvia a aproximação dos partidos à direita ou à esquerda, em que os radicalismos fazem caminho para a normalização das condutas, ter um partido – outrora intitulado de fundamentalista – com uma postura moderada na defesa das causas, é solução equilibrada para as políticas públicas.

Os desafios climáticos não são um argumento ideológico, mas uma realidade com reflexos em matéria de justiça social, que não devem ser utilizados como uma conveniente falácia que extremos exploram para amealhar votos. O incumprimento do crédito climático vai ser executado, com juros altíssimos e uma taxa de esforço imensurável. Temos de estar conscientes.

Investir no clima é investir na prevenção e resiliência social. Ao executar políticas ambientais, estão a evitar-se crises de saúde pública, como a pandemia COVID, a apoiar-se uma alimentação diversificada e adequada através do cultivo de alimentos apropriados às características e necessidades, fomentando a soberania alimentar, reduzindo a dependência externa, consumindo produtos locais, ajudando a economia local e diminuindo a pegada ecológica.

Para além disso, a eficiência energética e térmica das habitações são também medidas climáticas que reduzem a emissão de gases com efeito estufa e a dependência de combustíveis fósseis. Parece simples, e é.

Nunca será excessivo recordar que as mulheres são um grupo vulnerável ao impacte das alterações climáticas e ao extremismo vindo da direita, o que, por si só, deve motivar as mulheres a reforçar o seu ativismo político.

A crescente reação contra as políticas da igualdade de género reflete-se no sucesso eleitoral de grupos populistas de extrema-direita. O desmantelamento dos direitos das mulheres integra o núcleo das células dos movimentos de extrema-direita. Daí que o voto feminino e no feminino seja uma importante arma democrática, sob pena de as necessidades femininas não serem atendidas, produzindo-se políticas que desconsideram o género.

A existência de figuras femininas na política pode ser garante da igualdade de género. A violência física, psicológica e on-line contra as mulheres deve ser combatida, pois são tentativas para deslegitimar as propostas políticas tendo por base o facto de ser mulher.

É isto que deve mobilizar o voto feminino no feminino.

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