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Um concelho esquecido…

Rui Menezes cronicas Jornal Diario da LAaoa

A anteproposta do plano, apresentada pelo Governo Regional dos Açores, para o próximo ano de 2016, deixa muito a desejar, para a população do concelho de Lagoa.

O total de investimento para os Açores, de acordo com o dito plano é de 852,5 milhões, ficando para a ilha de São Miguel reservados cerca de 271 milhões de Euros.

No que diz respeito ao concelho de Lagoa, o investimento direto, em obras no concelho, fica-se por um valor que não chega a 2 milhões de euros, representado assim, menos de 1% do investimento previsto para esta ilha.

Claro que no previsto para São Miguel, estão incluídos investimentos comuns para a ilha, que o concelho de Lagoa beneficiará indiretamente, mas, mesmo levando em consideração esses investimentos comuns, a Lagoa nunca terá um peso, na distribuição das verbas, superiora 3%.

Recorde-se que a Lagoa tem cerca de 10% da população de S. Miguel.

Vejamos então o que o plano reserva para a Lagoa:

a) 1.336.593 euros, para o Parque Tecnológico de São Miguel – Nonagon.

Relativamente ao Nonagon, esta verba de 1.336.593 euros, que acresce aos quase 30 milhões de Euros, que o Governo Regional já “enterrou” naquele projeto, estou certo, que pouco ou nada vai acrescentar à economia local. Quando muito, deve ter como finalidade pagar alguma divida já efetuada, o que, como principio, não é mau, mas não é investimento para 2016.

b) 300.000 euros para a construção de uma creche em Água de Pau

Relativamente à construção da creche, em Água de Pau, sem discutir a oportunidade ou até mesmo a necessidade desta obra, penso que a mesma está dotada com um valor que garante que a obra vai mesmo avançar. Assim, se o Governo Regional cumprir, vamos de facto ter um investimento.

c) 75.000 euros para o Porto dos Carneiros

Esta obra, de grande importância para os pescadores da Lagoa e que tem vindo a ser sucessivamente adiada, infelizmente, mais uma vez, pelo valor orçamentado, não vai ser realizada. 75.000 euros não é suficiente para a obra desejada. Os pescadores da Lagoa, que recentemente criaram uma associação, saberão certamente o que fazer perante esta situação.

d) 50.000 euros para a construção de novas instalações para a EBI de Lagoa

Ou seja, o Governo Regional reconhece os problemas desta escola, sabe da urgência na sua construção, mas mesmo assim, à semelhança do ano passado, reserva um valor que não dá, certamente, nem para o projeto. Outra escola, desta ilha, com problemas idênticos, tem orçamentado 6.500.000 euros para a sua construção.

Penso que os pais, os professores e os alunos, não devem ficar indiferentes a esta situação.

e) 180,000 euros, para a Requalificação dos portos de Água de Pau, Nordeste, Porto Formoso e Praia da Graciosa

Esta rúbrica, da forma que está apresentada, não permite que se conheça o valor que o porto de Água da Pau, poderá beneficiar. No entanto, pelo valor global, podemos ver que se trate de mais um valor para constar, pois o valor se for dividido pelos 4 portos, seria de 45.000 euros, o que mais uma vez, não tem expressão.

Como os leitores puderam facilmente perceber, este é um plano político, em ano de eleições e que tem um objetivo simples: ganhar eleições.

Só assim se percebe que a Lagoa, fique esquecida, pois sendo um concelho socialista, as verbas disponíveis, têm de ser canalizadas para outros concelhos e freguesias onde o Governo tem mais dificuldades em vencer as eleições.
No entanto, a boa noticia, é que estamos a falar de uma proposta, pelo que se houver vontade política e o empenhamento das forças vivas locais, tudo pode ainda ser alterado, para melhor.

Penso que chegou a hora da Lagoa exigir aos responsáveis políticos regionais um tratamento condicente com a realidade do seu concelho. Afinal, a Presidência da Câmara Municipal de Lagoa, é, há alguns anos, da mesma cor política do Governo Regional e isso, sempre nos foi vendido como sendo um benefício, que na realidade não se está a verificar.

O que vemos nesta anteproposta de plano para 2016, é que o Concelho de Lagoa, será no próximo ano de 2016, novamente esquecido…

Por Rui Meneses
Crónica na edição Impressa de novembro de 2015

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