O Parque de Ciências e Tecnologia de São Miguel – Nonagon, recebeu esta sexta-feira, dia 15 de abril, a conferência “Desafios das Cidades inteligentes”, Lagoa Smart City 2020.
No âmbito da abertura desta conferência, Cristina Calisto Decq Mota, Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, relembrou que este evento é uma etapa importante para a “mudança da Lagoa” numa Smart City.
Consequentemente, para transformar a cidade lagoense numa cidade “inteligente”, tem que haver uma evolução tanto a nível económico, como social e cultural. O objetivo principal é a construção de bases sólidas de uma Samart city pois os cidadãos querem mais qualidade de vida, mais informação, lazer e cultura.
A autarquia lagoense delineou um “Plano integrado para uma cidade inteligente”, com projetos e estratégias para transformar a cidade de Lagoa numa cidade inteligente, numa Smart City. Nomeadamente com o aumento das redes de ciclovia, com o WIFI gratuito, com espaços novos onde a tecnologia domina, uma maior interatividade, e com uma politica de proximidade do poder local e da população.
Segundo a edil lagoense, tornar a Lagoa numa Smart City é fazer transforma-la numa “cidade atrativa e competitiva”, sendo que é uma “cidade moderna quando reflete a imagem que quer para o seu futuro”.
No âmbito desta conferência, Vítor Fraga, Secretário Regional do Turismo e Transportes, relembrou que fazer das cidades, uma “cidade inteligente”, é um “grande desafio e traz às cidades grandes desafios”. Assim sendo, uma tecnologia ao serviço das pessoas e do meio ambiente é necessária, como uma “governação inteligente” com a partilha de saberes e de experiências.
Vítor Fraga, salientou ainda que a cidade de Lagoa tem uma “ambição e visão” que é “apoiada e partilhada” pelo Governo Açoriano, tendo como objetivo final que os Açores sejam “um exemplo para o mundo”, pois os Açores reúnem “todas as condições para se tornar numa região inteligente”.
Vítor Pereira, Diretor da revista Smart Cities, foi um dos oradores desta conferência, com a apresentação das “Iniciativas nacionais e internacionais de cidades inteligentes”, onde demonstrou que algumas cidades são mais atrativas do que outras por serem: grandes, modernas, vivas, criativas, originais, divertidas, confortáveis, “cool”, abertas e tolerantes. No entanto, alertou para o facto que grandes cidades também têm “grandes problemas”, nomeadamente no que diz respeito ao desemprego, pobreza, poluição, saúde e ao turismo de massa. Por outro lado, traz muitos pontos positivos, com uma boa cultura, criatividade, sustentabilidade e conhecimentos.
Nesta conferência, uma ideia geral destaca-se nos discursos dos diversos oradores, é que uma Smart City, tem que ser uma cidade: criativa, inovadora, diferente, sustentável, inteligente, tecnologia, empreendedora e com uma governação inteligente.
Segundo, Flávio Tiago, da Universidade dos Açores, no âmbito do seu discurso “Roteiro para uma Smart City”, para se criar uma cidade inteligente tem que se construir “alinhamentos estratégicos”, com “recursos-chave” e “parceiros-chave”, sendo necessário envolver-se em projetos e redes regionais, nacionais e internacionais. Assim sendo, afirmou que os desafios para tornar a cidade de Lagoa numa Smart City serão a sociedade, “a base de uma Smart City são as pessoas”, a sustentabilidade, a economia, a invocação e Startups, a governação, com o “open data”, a mobilidade e a tecnologia.
O orador, Duarte Ponte, administrador da EDA, demonstrou que a “Lagoa, uma Cidade Inteligente”, será ainda mais “atrativa”, mas para isso terá que desenvolver infraestruturas e dispositivos inteligentes, como é o caso de uma iluminação inteligente e com uma “comunicação rápida” passando pela utilização da fibra ótica na casa de todos os lagoenses. Para Duarte Ponte, até 2020, todas as casas da Cidade de Lagoa deveriam estar equipadas com o sistema de “Smart Meters”, que é a transmissão para a EDA do consumo real de energia, ou seja, “o valor real gasto e não o estimado”.
Para Raul Bordalo Junqueiro, da Portugal Telecom (PT), as “Cidades Inteligentes, Cidades de Hoje”, os “municípios devem estar mais juntos do que nunca” para poderem operar em rede e em conjunto. Destaca assim, três pilares fundamentais para a construção de uma Smart City: a sustentabilidade, a cidadania e a economia.
Alguns dos oradores relembraram que o número de pessoas a viver nas cidades está cada vez maior, foi o caso de Thomas kaspersen, da empresa SAP, que falou em “Innovations for Improving Lives”.
“Soluções Tecnológicas para a Smart City” foi a apresentação feita por Pedro Leite, da empresa Globaleda, onde salientou a importância de vários fatores, como o governo e educação, a energia, os edifícios, os transportes, a água e o saneamento, a tecnologia, a saúde e os cidadãos estarem interligados com “the internet of things”.
Para Pedro Leite, “the internet of things” é a ligação entre os dispositivos, mais a conectividade, mais a informação.
Um exemplo de uma cidade inteligente, é a cidade de Abrantes, “Abrantes. Cidade Feliz. Cidade Inteligente”, demonstrou Tiago Andrade, da empresa Compta. Abrantes, tornou-se numa cidade inteligente e adotou diversas plataformas, como é o caso da Ez Energy, Ez Gaz, Ez Water, Ez Waste, Ez Fleet, We Trig, Tag Water, Prod Farmer e a plataforma Sou Cidadão. Assim sendo, em Abrantes, os candeeiros da rua acedem e apagam consoante a luz solar, outro exemplo é a água das piscinas municipais aquecerem apenas quando vão ser utilizadas ou ainda a existência de sensores nos caixotes do lixo para se saber quando o caixote está cheio.
A plataforma “Sou Cidadão” é um meio de comunicação entre a autarquia e a população, com notificações, o que permite ter um centro de controle de todas as ocorrências em tempo real.
Nesta conferência também foi apresentado o projeto de Paulo Pereira da Puretec, na sua construção de um carro elétrico, “Um centro “tecnoético” para um carro elétrico”. Este projeto lagoense, tem como objetivo ser “amigo do ambiente”, ter atenção à poluição, com o desenvolvimento de fibras de produtos reciclados. Para Paulo Pereira, “a região e o país precisam de industria, nós não temos indústria no país. Pouco se produz”.
Finalmente, a oradora Carla Melo, da empresa Simbiente Açores, falou no “Desenvolvimento de uma cidade inteligente – casos de aplicação na Lagoa”.
Existe um projeto de Sustentabilidade Energética do Município de Lagoa com um “Plano de eficiência Energética”, sendo o objetivo de “começar pela energia” para transformar a Lagoa numa Smart City.
Por outro lado, uma base com uma Plataforma de Gestão de Energia, a IEMSY, é uma das ferramentas que permite um suporte à monitorização e otimização do consumo e abastecimento energético. Esta plataforma digital permite tornar essa “plataforma inteligente e tornar a Lagoa numa cidade inteligente”.
Um Documento de Compromisso, será votado para aprovação em Assembleia Geral, no dia 27 de abril, para a submissão ao plano “Pacto de Autarcas para o Clima e Energia”, sendo considerado a “mais importante iniciativa urbana global ao nível do clima e da energia”.
DL/AS
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