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Vamos votar com a nossa consciência

Roberto Jesus Reis
📧 robjreis@gmail.com
Escritor

Dia 4 de Fevereiro vamos eleger os representantes do povo açoriano à Assembleia Legislativa Regional, pelo que se impõe a todos os cidadãos um acto de reflexão sobre quem melhor conduzirá os destinos da nossa região autónoma. Esta decisão é só nossa.

Os debates

Os debates na RTP-Açores, não foram na sua essência verdadeiros debates. Para além de inócuos e fracos, o modelo assumido para este formato apenas permitiu um desfiar de ideias, sem o verdadeiro acto de debater como se pretendia, salvo algumas excepções de réplicas. Este formato deve ser repensado pela RTP-Açores, pois não acrescenta nada ao esclarecimento dos eleitores sobre os programas dos partidos e suas ideias, não permitindo assim o real confronto como se pretende.

As entrevistas

Em contraciclo as entrevistas conduzidas pelo jornalista Pedro Moreira, têm sido muito esclarecedoras, com um jornalismo de qualidade, colocando as perguntas certas sem medo, notando-se um estudo de cada programa e ideias dos partidos e dos seus líderes. Os meus parabéns ao Pedro Moreira pelo trabalho desenvolvido.

Os desaparecidos

A coligação calou os desaparecidos Artur Lima e Paulo Estêvão. Só prova que reconhecem que o cinismo e a hipocrisia os prejudicam. Estas nódoas não fazem falta a uma democracia e a uma autonomia que se quer séria, com políticos de ideias abertas que não usam os bairrismos em proveito político próprio. Cá não fazem falta nenhuma. Passamos muito bem sem eles. As ideias que afirma de renovação não são para eles, pois eternizam-se nos cargos partidários que ocupam.

O que falta falar

Fala-se nesta campanha de assuntos muito importantes, saúde, educação, transportes, privatização da Azores Airlines. Falta falar da cultura. Quem ganhar as eleições, não pode deixar a cultura no marasmo em que tem estado. Uma análise simples que se pode fazer dos últimos três anos da governação é o valor inscrito em orçamento para a cultura é sempre exíguo para as necessidades. Os Açores merecem mais investimento na cultura. Analisem-se os últimos orçamentos para ver qual a importância da cultura num orçamento regional. Sou a favor de uma secretaria da cultura com orçamento próprio e não de ter a cultura com um apêndice da secretaria da educação. Os Açores têm capacidade e os orçamentos regionais podem acomodar valores mais altos para este âmbito. Exorto o próximo governo dos Açores a anunciar a primeira Secretaria Regional da Cultura dos Açores.

Os partidos

Os eleitores colocam uma pergunta na hora de decidir o seu voto – Em quem confiar?

O que mais tenho escutado é que não se pode confiar em ninguém, são todos iguais. Este tipo de pensar leva a que, por uma questão de revolta, por uma questão de penalização a quem nos governa, partidos pequenos extremistas sejam o repositório destes votos de protesto.

Há que ter cuidado. Os votos nas extremas podem ser perniciosos para a nossa democracia (aconselho a lerem os estatutos, as bases programáticas destes partidos especialmente quando foram formados, pois, entretanto, já branquearam o que eram as suas ideias iniciais para se tornarem mais apelativos ao voto) para aferirem da realidade do que preconizam. Temos uma extrema-esquerda que ficou fofinha, deixou o seu radicalismo porque verificou que ganharia mais votos se amansasse os seus ímpetos revolucionários — acomodou-se à democracia. Temos uma extrema-direita que pensa que por falar mais alto do que os outros as suas mentiras serão transformadas em verdades.

Os restantes pequenos partidos tentam sobreviver da maneira que podem. Uns com ideias, outros sem ideias nenhumas, estando necessitados de mudar de liderança e de renovação. Veremos qual o seu verdadeiro peso no dia da eleição.

Resta-nos o PS e agora a coligação (PSD-CDS-PPM). Relativamente à coligação o primeiro facto é o de que o PSD tem consciência de que sozinho não é o partido que era. Por melhores intenções que tenha José Manuel Bolieiro, por mais consensual que queira ser, só demostra uma fraqueza de liderança. Começou mal deste o último acto eleitoral quando dá a um partido com apenas 3 deputados uma vice-presidência do Governo Regional dos Açores, que contaminou toda a governação. Desde aí perdeu o pulso à governação, porque Artur Lima, homem muito ambicioso, minou por dentro o governo. Face a isto José Manuel Bolieiro só teve uma opção, aguentar-se à tona de água, pois desde o primeiro dia que ficou refém da vice-presidência e dos seus ímpetos narcisistas, tal como o outro parceiro de coligação o PPM.

O PS ganhou as últimas eleições. Não conseguiu formar governos, é certo. Vasco Cordeiro joga nestas eleições a sua última cartada para voltar a governar os Açores. Se ganhar e conseguir formar governo terá pela frente o desafio de voltar a dar estabilidade governativa à região, mas terá também de ser verdadeiro e assumir os erros do que não ocorra bem. É isto que espero dos políticos — a verdade e a assunção das falhas. Depois dessas eleições, o PS terá de dar o passo seguinte – pensar na sua renovação futura.

No dia da eleição

O dia 4 de Fevereiro será um dia muito importante para os destinos da região. Votar com consciência é saber se queremos que a extrema-direita ou a extrema-esquerda sejam o fiel da balança para quem nos governa; é o dia que decidiremos se queremos uma democracia e uma autonomia feridas pela xenofobia, pelo racismo, e por todos os outros ismos. Votar com consciência é afirmarmos que queremos continuar a ser livres de preconceitos.

Vote no dia 4 de Fevereiro com a consciência de que está a prestar um serviço aos Açores.

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