
As bandas filarmónicas são dos agrupamentos musicais de índole popular mais disseminados em Portugal. Com uma forte tradição na manutenção e difusão de valores culturais esociais nas mais diversas comunidades onde estão implantadas, têm tido, desde que surgiram, um papel preponderante na formação de miúdos e graúdos e, inclusivamente, na sua integração social. Há quem as apelide de “conservatórios do povo” por serem verdadeiras escolas de cidadania e de música dita não erudita, mas de onde saem alguns dos maiores nomes da música nacional. Criadas em Portugal há cerca de dois séculos, proliferam por todo o país, em aldeias, vilas e cidades e podem ser assumidas como verdadeiros veículos de transmissão cultural e de valores aos mais diversos níveis. A Sociedade Filarmónica Estrela D´Alva constitui uma herança cultural da cidade da Lagoa, na qual a tradição da prática musical filarmónica conta com mais de um século de existência, materializada em distintos agrupamentos ao longo das décadas. O papel das bandas filarmónicas enquanto veículos transmissores de valores, cultura, identidade de um povo e região são indissociáveis.
A importância das bandas filarmónicas na vida dos jovens nas regiões mais desfavorecidas e a dinâmica cultural que a banda tem, na capacidade de criar na sociedade onde está inserida, devem ser encaradas por parte dos decisores políticos locais e centrais como um património a preservar. Delas, em grande parte,depende o único garante da vitalidade cultural de uma determinada região, permitindo igualmente o acesso de forma quase gratuita à educação musical.
Se os dados da influência da música no desenvolvimento dos jovens são conhecidos, sobretudo nos resultadosescolares, então as bandas filarmónicas devem ser vistas não como um grupo de jovens que se juntam para tocar uns instrumentos e passar o tempo, mas sim como uma instituição local que deve ser preservada para continuar a fazer crescer a comunidade que vêna sua banda a única oportunidade de vivenciar cultura.
O estigma do amadorismo foi diluído pelo tempo na capacidade de devoção, há que dizê-lo de forma clara, em manter activas as bandas filarmónicas. E a formação mais profissional na área musical dos seus dirigentes é prova disso mesmo, o que aumenta significativamente a sua qualidade.
Em muitas regiões do nosso país, é pela frequência em bandas filarmónicas que os jovens possuem a única hipótese de culturalmente se desenvolverem.
Só o amor a tudo isto pode justificar a racionalidade da existência de muitas bandas filarmónicas, devendo-se olhar para o conceito com uma visão patrimonial e imaterial que dá a muitos jovens o gosto por um caminho mais profissionalizante.
Se para muitos dos nossos jovens é aqui que tudo começa, não apoiar este património secular de forma mais concreta e robusta pode significar o caminho para o fim de uma não descoberta.
Por muitas e diversas razões, os municípios devem perceber, de forma inequívoca, que há instituições culturaisnas nossas pequenas freguesias que são essenciais manter, sob pena de uma desertificação cultural total, onde os jovens têm um papel fundamental pela apelação na sua continuação.
No entanto, o papel importante das bandas filarmónicas não se esgota no pré-ensino voluntário da música e dos desfiles nas ruas em épocas festivas; também deve servir para que possam dinamizar os muitos coretos cada vez mais degradados, com uma importância histórica inclassificável que se teima em esquecer, não se percebendo que ao redor do coreto, como outrora, também se pode assistir a maravilhosos concertos.
Não valorizar isto é não perceber da cultura que também se faz aliada às tradições e à história. E todos conhecemos o que significa passar ao lado da história de um povo.
Aproveite esta oportunidade para destacar todo o trabalho, que está a ser realizado diariamente, pelo dinâmico e competente Maestro Luis Paulo Costa Moniz.
Destacar os talentosos jovens que aqui são formados e enaltecer o acompanhamento que os mesmo têm por parte dos seus pais e encarregados de educação.
É com muito orgulho, que manifesto a minha alegria, por mais um aniversário e pela forma com a Estrela D´Alva, se apresentou para abrilhantar a sua festa, aplaudida por todos com o seu reportório bem selecionado, para o concerto que proporcionou, com o seus sons, enriquecidos pela acústica deslumbrante, da Igreja do Convento dos Frades.
Como Músico e Dirigente, mais antigo de forma alguma poderia deixar passar este efeméride, sem prestar o meu testemunho de 51 anos consecutivos, ligado à Filarmónica.
Também quero deixar uma mensagem de apreço, aos seus órgãos Sociais, na Pessoa do seu Presidente da Direção João Manuel Cabral Arruda, extensivo a todos seus executantes, Sócios e amigos da Estrela D´Alva, na continuidade deste trabalho de equipa, cujo os resultados são visíveis, e que enaltece os valores humanos, cultivados há 136 anos.
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