A Casa da Cultura Carlos César, na cidade de Lagoa, acolheu a segunda sessão de Promoção da Cidadania e Educação Política, numa conferência proferida por Pedro Gomes, intitulada “A liberdade vale a pena”.
A sessão de promoção realizou-se esta segunda-feira, dia 24 de abril e no total irão ser realizadas cinco sessões de promoção para a cidadania.
Duas turmas do 11º ano, estudantes na área de animação Sociocultural da Escola Secundária de Lagoa, assistiram ao debate.
Para o coordenador da Área da Cultura e Educação, Igor Espínola de França, a liberdade é um tema fundamental pois tem que ser permanentemente defendida, por não ser algo adquirido para sempre.
Por seu turno, e segundo o advogado Pedro Gomes, só o facto de se puder reunir e debater a importância da liberdade, é já um privilégio das novas gerações, sendo sinónimo de liberdade.
Efetivamente, a geração atual não tem que se preocupar com os problemas de liberdade dos antepassados ou com a falta da mesma, esquecendo-se que noutros tempos uma simples conferência seria vigiada pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE).
“A liberdade é algo que nós respiramos”, afirma Pedro Gomes, evocando exemplos como as Eleições Presidenciais da América, onde todas as pessoas dão a sua opinião, em liberdade, sobre o vencedor e Presidente Donald Trump.
Em véspera do feriado do 25 de abril, Dia da Liberdade, o advogado relembrou a luta dos soldados de 1974, citando Salgueiro Maia que dizia: “vamos acabar com o estado a que chegamos”.
Com a instalação da democracia em Portugal, foi eleita pelo povo a Assembleia Constituinte, onde de forma livre, os portugueses elegeram os seus deputados.
Pedro Gomes salientou três fatores essenciais para a democracia, para a liberdade e relevantes na importância da Constituição: a lei fundamental, a organização do Estado e a limitação do Estado. Consequentemente, afirma que “sem democracia não há liberdade”.
“Os cidadãos têm liberdade com a democracia pois quando não há liberdade não temos todo o resto”, refere Pedro Gomes.
Nesta sessão, assistida por muitos jovens estudantes, Pedro Gomes lançou-lhes o desafio de folhearem a Constituição Portuguesa e de votarem, de forma a puderem, em liberdade, escolher os seus representantes políticos.
“Não temos o direito de dizer tudo ou de fazer tudo, isso é libertinagem”, afirma o advogado, referindo que com as novas tecnologias sentimo-nos cidadãos do mundo e discutimos o que se passa no mundo como se lá estivéssemos.
Outro tópico analisado foi a emergência do populismo, onde são apresentadas soluções fáceis para problemas complexos e que visam principalmente a diminuir a democracia. Efetivamente, Pedro Gomes exemplifica utilizando referências como o presidente americano Donald Trump ou ainda Marine Le Pen, para a França.
Pedro Gomes concluiu a sessão afirmando que a liberdade nunca é adquirida e que é necessário conquistá-la todos os dias, existindo um complexo permanente entre a liberdade e o seu contrário.
Claramente as opiniões dividem-se no que diz respeito ao excesso de liberdade, mas na realidade as mentalidades, sociedade e valores mudaram e o conceito de liberdade também evoluiu com o tempo.
DL/AS
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