
Fundada a 9 de junho de 1966 pelo cirurgião Aníbal Furtado Lima, a Clínica do Bom Jesus assinala este ano seis décadas de atividade. Nascida de uma visão inovadora para a saúde nos Açores, a instituição mantém como principal missão a vertente social que o fundador quis perpetuar através da doação da clínica à Diocese de Angra.
Há 60 anos, Aníbal Furtado Lima inaugurava, em Ponta Delgada, uma unidade de saúde que rapidamente se tornou uma referência nos Açores. Mas a ambição do médico-cirurgião micaelense nunca se limitou à prestação de cuidados clínicos. A sua grande preocupação era garantir que a saúde estivesse ao serviço das pessoas, sobretudo das mais frágeis, visão que continua a orientar a Clínica do Bom Jesus seis décadas depois.
Esse compromisso ganhou expressão definitiva em 1979, quando Aníbal Furtado Lima e a sua esposa decidiram doar a clínica à Diocese de Angra. Daquele gesto de generosidade nasceu a Fundação Pia Diocesana do Bom Jesus, posteriormente reconhecida como Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), passando a dimensão social a constituir a razão de ser da instituição.
Ao longo dos anos, a Clínica do Bom Jesus tem vindo a renovar progressivamente os seus equipamentos, sobretudo no bloco operatório, considerado uma das principais fontes de receita da instituição.
Atualmente, a unidade dispõe de tecnologia moderna em áreas como a artroscopia, cirurgia laparoscópica e litotrícia, permitindo realizar intervenções diferenciadas e acompanhar a evolução da medicina contemporânea. Mas, precisa de investir mais, diz o diretor, Francisco Silva.
“A clínica quando foi fundada, em 1966, era uma clínica moderna, com os equipamentos mais modernos que existiam na altura. Naturalmente, passaram muitos anos e apesar dos esforços de modernização não conseguimos acompanhar o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas, o que significa que nós temos tido aqui um trabalho muito grande de reinvestimento, em termos de equipamentos. Alguns deles já estão obsoletos e estão a ser substituídos à medida das possibilidades e das necessidades. Por isso, perdemos alguma vantagem competitiva que estamos neste momento a tentar recuperar, com investimentos sérios”, afirmou o responsável.
Apesar das mudanças verificadas no setor da saúde na região nas últimas décadas, sobretudo com o surgimento de um hospital particular, “que teve um impacto financeiro nas contas”, a Clínica do Bom Jesus continua a registar uma elevada procura na área do internamento, mantendo frequentemente a capacidade ocupada.
Entre os objetivos definidos para o futuro está a expansão da capacidade de internamento, a ampliação do bloco operatório e o reforço da oferta assistencial, projetos considerados fundamentais para aumentar a sustentabilidade financeira da instituição.
“Nós primamos pela qualidade, somos mais pequenos, também conseguimos dar um tratamento mais personalizado e, portanto, por aí podemos ter vantagens comparativas que nos façam, enfim, não digo concorrer, mas diminuir os impactos que teve o surgimento de uma nova unidade de saúde com a dimensão do atual hospital privado”, adiantou.
“A lógica mantém-se fiel àquela que Aníbal Furtado Lima deixou expressa nos estatutos da Fundação Pia Diocesana do Bom Jesus: toda a atividade clínica deve contribuir para financiar a componente social, recordou o diretor.
“Tudo o resto que nós vamos fazendo, quer em termos de exames regionais, quer em termos de bloco operatório, quer em termos de fisioterapia, quer em termos de consultas médicas. Portanto, toda a nossa atividade, no fundo, é para gerar alguns fundos que nos permitam depois ter a componente social. Isso, curiosamente, foi previsto desde o início da fundação.
No dia 9 de junho, pelas 18h00 haverá uma eucaristia seguida de uma tertúlia em que que participarão o radiologista Pedro Cordeiro, o sobrinho neto Filipe Maurício, monsenhor José Constância, amigo do médico e Manuela Mota que coordena o grupo de voluntários da clínica. A entrada é livre.
Os leitores são a força do jornalismo livre.
Subscreva e apoie. Ao valorizar o nosso trabalho, viabiliza um jornalismo independente e de proximidade. Só assim levamos até si as notícias que contam.
Deja una respuesta