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Contos para crianças e histórias de terror

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A discrição do projeto político das autoridades gregas como “conto para crianças” pelo Primeiro-Ministro português tinha-me já deixado atarantado com a falta de cortesia – para não dizer aviltante grosseria – proferida em nome dos cidadãos portugueses.

Quando me dei conta que o nosso representante não se tinha ficado por aqui mas que tinha mesmo dito que Portugal era o país que mais ajudava a Grécia em percentagem do produto passei do estado de perplexidade ao de pura revolta com um sistema político que coloca como principal representante nacional quem não tem condições humanas ou intelectuais para exercer tal cargo.

Estar há quatro anos a gerir a crise do Euro no nosso país e acreditar que uma coisa dessas seja possível é simbólico do zero absoluto que nos governa. As coisas não tinham ficado por aqui, e o senhor Presidente da República escolheu o Congresso Nacional do milho para reclamar de um empréstimo bilateral de 1100 milhões de Euros de Portugal à Grécia no contexto de um discurso feito de total descortesia por um Estado Membro da União Europeia.

No que respeita à ajuda – a exposição bilateral pode ter a ver com atividade privada ou com o funcionamento do sistema de bancos centrais – a fazer fé na informação publicamente difundida (está disponível no site da Comissão Europeia sobre a ajuda à Grécia http://ec.europa.eu/economy_finance/assistance_eu_ms/greek_loan_facility/index_en.htm e no site do principal fundo da EU utilizado no financiamento à Grécia, http://www.efsf.europa.eu/about/index.htm) Portugal não tem qualquer ajuda ativa à Grécia neste momento.

Os 1100 milhões de Euros acima citados e que correspondem ao empréstimo efetivamente cedido à Grécia por Portugal em 2010 terão sido devolvidos, no contexto da ajuda concedida a Portugal de acordo com a informação pública disponibilizada pelas instituições europeias. Se o não foram, compete às autoridades portuguesas explicar porquê.

O que é interessante termos em conta é que o mecanismo mais importante de ajuda a Portugal, o ESM, que emprestou 26.000 milhões de Euros a Portugal mas não fez qualquer empréstimo à Grécia, é financiado por um empréstimo caucionado pelo orçamento europeu, e portanto, indiretamente, pelos Estado Membros.

Tendo em conta que a Grécia tem a seu cargo cerca de 2% do orçamento da União, isso quer dizer que é Portugal que deve à Grécia cerca de 520 milhões de Euros, ou seja, fundamentalmente o inverso das declarações dos nossos PM e PR.

Ou seja, Portugal tem à sua frente representantes ignorantes, descorteses e mal-agradecidos.
Salva-se no meio da hecatombe a senhora Ministra das Finanças que, a crer na imprensa, tomou a única atitude inteligente que poderia ser tomada que foi recusar-se a prestar qualquer declaração à imprensa, pois se o fizesse ou corroboraria os disparates do seu superior hierárquico ou o desautorizaria, o que não poderia fazer sem apresentar a sua demissão.

Saint Quentin
Paulo Casaca

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