Empresa familiar e com 180 anos de existência, a Costa Pereira & Filhos Lda, é uma referência na Cidade de Lagoa, pela venda e distribuição de materiais de construção.
A empresa passou de geração em geração e é atualmente administrada pela herdeira Luísa Pereira, sócia principal e seus filhos, Augusto, Patrícia e Ricardo Pereira.
Para Augusto Pereira, o negócio da Costa Pereira & Filhos, tem vindo a renovar-se ao longo dos anos. Iniciou, com o seu bisavô materno, como um negócio de forno de cal, depois foram introduzindo algumas ferragens e quinquilharias. Já no tempo do seu avô materno, a empresa passou pelo ramo da serração de madeiras e oficina de automóveis. Atualmente, para além das ferragens, a nova geração introduziu todo o tipo de material de construção e decoração para a habitação.
Augusto Pereira, trabalha na empresa familiar há praticamente 30 anos, defendendo que trabalhar em família é mais “fácil” principalmente porque se dão bem, mas também tem o seu lado mais difícil porque existe sempre a tentação de misturar a família com a empresa.
“Na minha opinião, a família deve ficar do lado de fora da porta e aqui dentro somos colegas de trabalho para a empresa. A dificuldade está aí as vezes”, esclareceu Augusto Pereira ao Jornal Diário da Lagoa.
A Costa Pereira & Filhos dá emprego a 15 funcionários, onde praticamente todos são lagoenses e, apesar da crise, nenhum perdeu o seu emprego.
Augusto Pereira explica que quando entrou na firma, ela estava com “enormes dificuldades”, principalmente derivado às taxas de juro elevadas. Por outro lado, salienta que foi necessário fazer alguns investimentos, melhorar as instalações e colocar artigos em stock.
“Mas nós, felizmente, sempre tivemos uma gestão muito rigorosa. O que é da empresa é da empresa. Todos nós temos os nossos salários, e levamos isso muito a sério”, esclarece um dos administradores da Costa Pereira & Filhos.
Por outro lado, Augusto Pereira, salienta que ao longo dos anos foram crescendo, mas sempre de uma forma muito segura, dando um passo de cada vez e principalmente com muita dedicação e claro “alguma sorte à mistura”.
Assim sendo, “quando veio a crise, felizmente nós tínhamos uma boa almofada e conseguimos aguentar” e o desaparecimento de outras empresas concorrentes também ajudou a manter as vendas.
“Nós não sentimos a crise propriamente dita. Tirando no movimento, na afluência à loja, as pessoas procuravam artigos mais baratos, tinham mais cuidado, mas nós felizmente conseguimos passar pela crise bem e aliás a crise ainda não acabou”, refere Augusto Pereira.
No que diz respeito às novas tecnologias, para o empresário, hoje em dia, são fundamentais, mas também podem ser uma “faca de dois gumes”, pois retiram muita mão-de-obra e muito emprego, sendo que outros setores de negócio terão de surgir, de forma a que o futuro seja promissor, nomeadamente para o Concelho de Lagoa e até para o mundo. Uma das soluções apontadas pelo lagoense passa pelo turismo, onde “temos de andar para a frente e a tecnologia deve ser uma aposta”.
A empresa Costa Pereira & Filhos é uma das mais antigas do Concelho, o que provoca um sentimento de orgulho nos seus administradores, afirmando que estão ao nível das melhores do país.
“Antigamente, notava-se que havia uma diferença temporal entre nós e o continente, no mínimo de um ano. Quando surgia alguma novidade cá, já tinha aparecido lá, há um ano, ou um ano e tal. Hoje em dia, isso não acontece, nós, inclusivamente, temos sido pioneiros em algumas coisas e com alguns fornecedores temos sido pioneiros até no país”, refere Augusto Pereira.
Assim sendo, já não existe a necessidade, como existia antigamente, de pegar num avião e de ir comprar materiais a Lisboa e hoje a empresa tem clientes oriundos de todo o arquipélago açoriano e isso, sem esquecer, os clientes lagoenses que “tanto nos orgulham”.
Um dos lados positivos da crise, foi a tomada de consciência das pessoas e da necessidade de voltar a comprar no comércio local, de forma a gerar mão-de-obra e a impulsionar a economia.
2016 foi um bom ano, tendo a empresa crescido significativamente, mas espera-se que em 2017 haja um abrandamento. Segundo Augusto Pereira, estes “altos e baixos” têm sempre a ver com as eleições regionais, pois durante as mesmas há mais obras para acabar e “isto sempre foi assim, independentemente de quem lá está no poder”.
Por isso, prevê-se que, em 2017, haja uma quebra, que o ano seja mais comedido e isso apesar das eleições autárquicas, pois nunca irá “mexer” da mesma maneira.
Finalmente, para o empresário, a crise ainda não acabou. Na realidade, existe uma “euforia, em que a memória das pessoas é curta”, pois parece que já está tudo resolvido quando tudo continua por resolver.
Para Augusto Pereira, “nós vamos ser sempre um país que vai viver em crise, porque temos um problema de justiça”, onde as pessoas, façam o que fizerem, não têm consequências. No que diz respeito ao comércio, o empresário recorda o facto de serem passados cheques sem cobertura e no tribunal a situação arrasta-se durante anos e não acontece nada de maior.
Manter-se atualizada, competitiva, inovadora, conseguindo arranjar soluções alternativas, diferenciando-se da concorrência e oferecendo mais, numa relação preço-qualidade, são alguns dos segredos que faz a empresa Costa Pereira & Filhos perdurar no tempo e ser de referência na Cidade de Lagoa.
DL/AS
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