Os jovens que estão institucionalizados têm, na sua maioria, dificuldades em se comprometer com os diversos projetos que são propostos. A situação acontece, a par de outros, no Lar de Jovens da Lagoa onde, crianças com os mais variados problemas pessoais e familiares, são acolhidos, mas que ao identificarem-se com este ou aquele projeto, acabam por assumir algum compromisso.
A ideia é defendida por Eduardo Borges, o coordenador deste Lar pertencente à Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa.
Trata-se de um espaço que foi inaugurado a 10 de março de 2003, onde são acolhidas crianças e jovens do género masculino, até os 21 anos de idade, que se encontram em situações de perigo.
Esta valência tem sido essencial na forma e inclusão dos jovens na sociedade, prevenindo-os de comportamentos de risco que poem em causa a integridade da vida humana.
Segundo Eduardo Borges, a instituição procura sempre levar a cabo um plano individual e coletivo, dinamizando diversas atividades, extra curriculares (passeios, eventos cultuais, atividades desportivas) para que haja um maior envolvimento dos jovens e para que possam crescer duma forma sustentável e saudável, algo que no seio familiar não foi possível, por alguma razão.
Recentemente os jovens deste Lar estiveram envolvidos na criação de um presépio no exterior do edifício. Uma ideia que surgiu dos monitores mas que os jovens acabaram por se envolver, sendo algo que se identificaram. Os jovens ajudaram na construção das figuras e a sua ornamentação, tendo um envolvimento muito positivo, considera o coordenador.
Atualmente são quatro as crianças que estão institucionalizadas no Lar de Jovens da Lagoa, mas a sua população é flutuante. Eduardo Borges recorda que recentemente estiveram institucionalizadas 12 crianças.
Durante o tempo em que permanecem no Lar, com os jovens, são trabalhados uma série de fatores, desde a aprendizagem, minimizando atitudes negativas no seu comportamento, uma vez que, muitas vezes, vêm de famílias que não acompanham estas crianças.
O responsável fala igualmente dos laços criados com estes jovens devido ao tempo que estes passam na instituição, referindo que, por mais que custe, há que saber distinguir essa afetividade, preparando para o dia em que a criança possa sair e regressar ao seu seio familiar.
Segundo Eduardo Borges, os jovens vão durante o fim de semana a casa ou são visitados pelos pais, para que não haja a perda desse relacionamento familiar, sendo que a instituição funciona como um fator importante de equilíbrio de alguma situação problemática que tenha acontecido na vida da criança.
O coordenador do Lar de Jovens da Lagoa destaca ainda o trabalho desenvolvido para que as crianças possam sair da instituição com uma lição e forma de vivência diferente daquela a que levou à sua institucionalização.
Eduardo Borges reforça que tudo o que é possível é dado aos jovens para que estes possam ter um futuro de sucesso com valores cimentados.
O Lar de Jovens da Lagoa tem atualmente quatro jovens institucionalizados, funcionado com cinco monitores, um psicólogo e um assistente social, havendo ainda mais quatro funcionários, ligados à instituição através de programas de emprego.
DL
(Leia a reportagem completa na edição impressa de janeiro de 2015)
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