Homem exemplar, político de referência para a Cidade de Lagoa, bom profissional e amigo do seu amigo, são alguns dos adjetivos que descrevem o Eng. João Leite de Bettencourt.
A Casa da Cultura Carlos César, na Lagoa, tem patente ao público, a exposição de homenagem intitulada “João Leite de Bettencourt: o homem, o autarca, o químico e o industrial”.
Nascido em 1916, na Freguesia do Rosário, na Lagoa, João Leite de Bettencourt, se fosse vivo, comemoraria este ano o seu 100º aniversario.
Palmira Bettencourt é filha do Eng. João Leite de Bettencourt e destaca esta homenagem como sendo de grande importância, quer para a sua família como para a Lagoa.
Segundo Palmira Bettencourt, o seu pai foi uma pessoa que viveu imenso para a Lagoa, “contribuiu muito para o desenvolvimento desta terra e era uma pessoa de uma bondade inestimável e honestidade”.
Dos tempos em que viveu com o seu pai, recorda de em casa só se falar na Câmara, até porque o seu avô materno já havia sido presidente e administrador do concelho, depois foi o seu pai que esteve 18 anos na Câmara e só se ouvia falar da Câmara do que se ia fazendo e desenvolvendo em prol do concelho.
Quanto à Cerâmica Leite, Palmira Bettencourt recorda que esta sempre esteve na família, tendo sido fundada pelo seu bisavô Manuel Leite Pereira em 1872, tendo ficado depois com a sua avó paterna e o seu pai ficou com ela em 1964, por herança, após o falecimento de sua mãe.
“Com a doença e com os filhos a estudar, ele viu-se na obrigação de ter que vender a fábrica de cerâmica”, recorda com mágoa, pois a escritura da venda ocorreu numa sexta-feira, dia 9 de março de 1973 tendo falecido dois dias mais tarde. Morreu com desgosto” diz Palmira Bettencourt.
Recordações de seu pai, diz ter muitas. “Era uma pessoa reservada, mas com muita bondade. Muito orgulhoso da sua família, da sua descendência. Em que os filhos só tinham que fazer duas coisas, serem bem-educados e estudarem para tirar o seu curso”, adiantando que na altura era impensável que os filhos deixassem de estudar para vir tomar conta da fábrica”.
Segundo Palmira Bettencourt, o Eng. João Leite de Bettencourt, era uma pessoa muito prestável, e muito religioso. “Recordo-me que ia sempre ver Nossa Senhora do Rosário antes de ir trabalhar, e todos dias rezava, entrava no quatro dos filhos para se despedir e benzia-se junto a um santinho que tínhamos lá em casa, e isso marcou-me bastante, deixando muitos valores morais”.
Palmira Bettencourt termina dizendo mesmo que “tenho a certeza que, onde ele está, deve estar muito orgulho deste reconhecimento”.
Ao Jornal Diário da Lagoa, o neto de João Leite Bettencourt, José Miguel Bettencourt, fala da homenagem pelo reconhecimento histórico da Câmara do que o seu avô fez pela Lagoa, todo o percurso que desenvolveu, pelo seu trabalho como industrial, assim como o seu papel de autarca e de homem empenhado na vida cívica e na construção na altura vila, hoje concelho. José Miguel Bettencourt diz estar certo que o contributo de seu avô, foi um valor acrescentado para futuro da Lagoa, sendo que a Lagoa de hoje, muito deve ao que os seus antepassados fizeram.
“João Leite de Bettencourt foi um homem que, pela sua humildade, conseguiu fazer a sua grandeza”, disse.
“O meu avô era um homem humilde e que tinha sabedoria e experiência, quer profissional, quer de vida, para vingar e para que pudesse corresponder a uma melhor qualidade de vida dos lagoenses e por onde passou”, reforçou.
Apesar de não ter conhecido o seu avô, lembra-se de quando brincava fábrica do álcool, nessa altura já se falava que o seu avô era uma pessoa que muito fazia pela sua terra, e que a sua simpatia e boa disposição era permanente. “Havia muito pouca gente que relatava factos menos abonatórios da sua boa disposição. O que significa que, apesar dos problemas que a fábrica passou, na sua transformação e valorização e a crise que nessa altura foi muito sentida, fez com que isso não o desmoronasse e o fizesse acreditar que era sempre possível”, destacou.
José Miguel Bettencourt fala ainda da passagem do seu avô na Fábrica de Cerâmica Leite, correspondendo a um desejo familiar, por forma a valorizar o património. “Face ao trabalho realizado o seu património, através de varias exposições internacionais levou o nome da Lagoa mais longe”, reforçou.
DL
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