Passados quinhentos anos do princípio da estratificação social e económica de São Jorge, da efectiva ocupação do seu território e consequente descoberta das suas particularidades, emerge agora, de fora para dentro, o interesse ou, se se preferir, o olhar «guloso», por um dos distintos traços da ilha, a saber:
– a fajã.
“Diferentes classificações nacionais e internacionais, a inclusão em convenções de algumas delas, o uso do «quadro» fajã para promoção dos Açores e a recente inclusão das fajãs da ilha de São Jorge na Reserva da Biosfera, entre outras coisas, atestam isso mesmo”, lê-se numa nota da autarquia da Calheta, ilha de São Jorge.
Segundo é referido, “não é fácil falar da fajã, da simplicidade, do colorido, dos contrastes, dos movimentos e dos afectos que ela guarda em si. Porém, é fácil senti-la, e o aproveitamento que ali se observa marca e define um modelo ímpar de ocupação do espaço, e a verdade é que sem que houvesse necessidade de imposições nem que fossem violados princípios de equilíbrio ambiental e de bom gosto arquitectónico, dali brotaram grandes construtores de paisagem e hábeis gestores da biodiversidade”.
“Hoje, é certo, atribuímos a estes micro-espaços, em larga medida, uma utilização funcional bem diferente, contudo o que se pretende projetar para o futuro das fajãs não pode, em circunstância alguma, esmagar o que foi e ainda o é, embora a outra escala, o trabalho de um vasto conjunto de gerações. Devemos-lhe esse respeito”.
É este, pois, o objectivo do «Encontro com as fajãs», promovido pela CALHETA, Município capital das Fajãs: encontro com a tenacidade, com a adaptação do Homem ao meio, mais do que isso, encontro com os limites apertados que caracterizam o palmo de terra que é fajã.
Ademais, do que se quer tratar no «Encontro com as Fajãs» é do que elas representaram e podem representar para o futuro da comunidade jorgense. Do que diferentes reconhecimentos e classificações podem significar para a preservação destes «pingos do mundo», mas também, e isto é muito importante, para a sua valorização qualificada, capaz de se traduzir em emprego e consequentemente para a ficção de pessoas.
O encontro decorre no próximo sábado, dia 2 de abril, pelas 18h00 na Irmandade Divino Espirito Santo na Ribeira Seca, ilha de São Jorge.
DL/CMC
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