
Venicio da Costa Ponte
Dirigente Iniciativa Liberal Açores
Conselheiro Nacional da IL
Erwin Schrödinger (1887-1961), proeminente físico austríaco laureado com o Prémio Nobel de Física em 1933, destacou-se pela sua contribuição à mecânica quântica. Mais conhecido pela maioria pelo “gato de Schrödinger”, uma experiência mental intrigante. Ao colocar um gato numa caixa com uma partícula subatómica, Schrödinger ilustrou a sobreposição de estados quânticos, onde o gato é simultaneamente vivo e morto até à observação. Sem dúvida uma experiência, emblemática da complexidade quântica. Cativou a atenção para os paradoxos na interseção da física e filosofia, perpetuando o legado de Schrödinger na compreensão da matéria.
No exercício de Schrödinger, descreve-se uma situação em que um gato é colocado numa caixa selada em conjunto com uma partícula subatómica, um átomo radioativo e um contador Geiger. Se o átomo radioativo decair, o contador Geiger detetará isso e quebrará um frasco de veneno, matando o gato. Se o átomo não decair, o gato permanecerá vivo. No entanto, segundo os princípios da mecânica quântica, até que a caixa seja aberta e alguém observe o interior, a partícula subatómica existe num estado de sobreposição, ou seja, simultaneamente em dois estados possíveis (decaído e não decaído). Isso implica que o gato também está simultaneamente vivo e morto até que efetivamente a observação seja feita.
Analisando este cenário à luz da política dos Açores, e ao momento político que nos encontramos, podemos encontrar analogias na natureza imprevisível e dinâmica das relações políticas na região. Assim como a incerteza quântica antes da observação, a política açoriana muitas vezes está sujeita a mudanças inesperadas, com diferentes partidos e interesses coexistindo e influenciando o cenário político. A abertura da “caixa” neste caso, pode ser comparada à votação do orçamento, ainda não sabemos se este ainda é passível de sobrevivência ou não.
Sendo o arquipélago a caixa selada, a partícula radioativa encontra-se mais a oeste do arquipélago, o frasco de veneno mais ao centro e o contador Geiger, enfim, acho que já entenderam. A probabilidade do “gato” estar morto é muito grande, mas desde março, aquando do rompimento do Acordo de incidência parlamentar, por incumprimento do PSD, que o representante da república podia e devia ter aberto a caixa e verificado o estado do “gato”, chamando os partidos a se pronunciarem. Afinal, no fim do dia quem é lesado é o povo Açoriano. Aguardemos a abertura dessa caixa e ver se o “gato” está vivo.
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