
Outrora, a Alice (do País das Maravilhas) perguntou ao Gato que caminho deveria ser o seu. Ao que Gato perguntou-lhe:
– “Para onde queres ir?”
– “Eu não sei, estou perdida.” Respondeu a Alice
– “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.” Concluiu o Gato.
Na Lagoa, 2 em cada 10 alunos que iniciam o ensino secundário não concluem este percurso; Em 2019 e em comparação regional, tivemos o 4º pior nível de escolaridade dos trabalhadores por conta de outrem (8,9); em 2021 fomos o 2º pior concelho da região em relação aos nascimentos cujas mães possuem o ensino superior (17,6). Existe, inclusive, uma escola em que 7 em cada 10 alunos recebem apoio social.
Em 2021, a Lagoa foi o 8º pior concelho dos Açores no rácio farmácia por habitante e o 2º pior no rácio enfermeiro por habitante, onde se continua sem Centro de Saúde e sem Quartel de Bombeiros.
A Lagoa continua com freguesias sem farmácia, sem multibanco e sem uma rede de transportes que una o concelho e melhore o acesso das pessoas aos serviços básicos do dia a dia.
Em 2021, em cada 10 habitantes da Lagoa, 1 recebia Rendimento Social de Inserção, fazendo deste concelho o 2º dos Açores com mais beneficiários do RSI (11%). O 6º da região com mais habitantes a receber subsídio de desemprego.
A Lagoa em 2019 foi o 2º concelho mais caro dos Açores para se comprar casa. O 2º dos Açores com mais crimes em 2021. Estamos abaixo da média da região no poder de compra.
Somos a 5ª autarquia que mais receitas recebe na região e a 10ª em relação à despesa.
Na Lagoa o dinheiro não está a ser investido nas pessoas! Vemos a pobreza a aumentar, a escolaridade em níveis indesejados, os jovens a não se conseguirem estabelecer autonomamente.
Sou convicto de que deverá ser muito diminuta a quantidade de gestores e líderes empresariais de sucesso que conseguirão negar a importância fundamental das competências analíticas e nível de criticidade no desempenho de determinados colaboradores e departamentos das suas empresas.
A competência e o rigor na construção dos documentos contabilísticos e previsionais são basilares para o cumprimento das regras e exigências dos mecanismos e entidades de controlo e fiscalização e, lá está, são também basilares na garantia da transparência dos atos e dos factos da gestão privada e da gestão pública.
É “como do pão para a boca” que se pode exaltar a necessidade de se gerar receitas, de gerir os limiares do endividamento, em otimizar a gestão de todos os recursos disponíveis e empregues.
O concelho da Lagoa e a gestão de que é alvo viu-se, principalmente na boca dos analíticos, criticado e defendido pelo seu sobre-endividamento, anunciado pelo Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses em novembro deste ano.
De entre os que apregoam uma gestão responsável das finanças municipais e os que noticiam que o sobre-endividamento é mau para a Lagoa, assistimos a uma constatação de dados financeiros e a uma desconsideração daquilo que eles representam, no presente e no futuro, para as pessoas da Lagoa.
Se uma empresa não é uma Câmara, uma Câmara não é uma empresa.
Uma câmara é um órgão político, eleito pelos munícipes e para os munícipes. Como órgão político não pode ter o seu princípio e o seu fim na elaboração e execução de orçamentos.
A política serve as pessoas em todas as suas dimensões. As contas certas ou estão ao serviço das opções certas, para que as pessoas olhem o seu futuro de cabeça erguida, ou não passarão disto mesmo: contas certas.
Como estão a viver as pessoas da Lagoa? Como poderiam estar a viver as pessoas da Lagoa? Como contribuiria, eu, para que as pessoas da Lagoa vivessem como poderiam viver? Não será com base nestas perguntas que os partidos, que enchem a boca de humanismo, devem centrar a sua visão e a sua ação política? Porque, o que interessa são as pessoas!
O quão apropriado seria tirar os valores partidários da boca e colocá-los na ação?
Também eu estou esperançoso de que no futuro as pessoas da Lagoa passarão a ser o centro de todos os projetos políticos. Porque, o que interessa são as pessoas! As do presente e as do futuro! E que as do passado sejam honradas!
Artigo de opinião publicado na edição impressa de dezembro de 2022
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