Foi numa manhã de orvalho
Seguia eu para o trabalho
Percorrendo o meu caminho
Fiquei um pouco frustrado
Sobre uma pedra sentado
Estava um pobre velhinho.
Chamou-me então de amigo
O velho pobre sem abrigo
Pareceu-me ter bom coração
Senti um grande calafrio
Ao ver que ele tinha frio
Pediu-me um pouco de pão.
Estava triste e muito fraco
Logo o pus meu casaco
Sobre seu corpo que tremia
O velhinho estendeu a mão
Quando lhe entreguei o pão
Que de pronto ele comia.
Me agradeceu com carinho
Ali deixei o velhinho
Sobre a dita pedra sentado
Quando ao trabalho cheguei
Foi então que enxerguei
Que algo se tinha passado.
Trabalhava com alegria
Mas a mente me trazia
Aquele velhinho sem abrigo
Parecia um homem nobre
Fraco velho e pobre
Mas tinha um olhar de amigo.
Quando o trabalho terminei
Pelo mesmo caminho regressei
Na esperança de novo o encontrar
Meu Deus quase não acredito
O que na pedra estava escrito
Eu morri para te salvar.
Ali estava o meu casaco
Que pus sobre o homem fraco
Naquele gesto de amor
Sobre a pedra me joelhei
Porque o velhinho que encontrei
Era Cristo nosso Senhor.
Por: João Silvério Sousa | foto@USP
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