
Têm sido várias as vozes que têm procurado manter viva a vontade de dar um novo impulso ao processo de beatificação da madre Teresa d’Anunciada, um desejo que remonta ao século XVIII e sem final feliz à vista. Nos últimos anos, a câmara da Ribeira Grande também tem procurado incentivar o culto tendo, inclusivamente, inaugurado um memorial evocativo numa das paredes laterais da igreja da Ribeira Seca.
O processo, que tem tido tanto de avanços como de recuos ao longo dos últimos trezentos anos, poderá ganhar um novo impulso com a chegada de D. Armando Esteves, novo bispo de Angra, ao arquipélago. Para já, existe a vontade de reabrir o processo após o presidente da câmara da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio, ter mencionado o assunto ao novo bispo aquando das comemorações do 10.º aniversário do Museu Vivo do Franciscanismo.
O Diário da Lagoa contactou a diocese de Angra que, através da assessoria de imprensa confirma que “na missa de encerramento da novena dos espinhos, o senhor reitor do santuário, nas palavras que dirigiu à assembleia presente na eucaristia, pediu ao senhor bispo que nomeasse a comissão histórica e um postulador para a causa de canonização de madre Teresa d’Anunciada”.
Mais acrescenta a diocese que “no final da celebração, o senhor bispo agradeceu o ‘caderno de encargos’ e disse que tinha trabalho para casa”, esclarecendo, porém, que tendo em conta que D. Armando Esteves “chegou à diocese há pouco mais de dois meses, está a inteirar-se dos processos e só depois tomará as decisões que entender adequadas.”
Então, qual é o ponto da situação do processo de beatificação da madre Teresa d’Anunciada? A diocese esclarece: “Existem dois processos desencadeados no século XVIII, um pelo bispo diocesano, outro pelo superior da Ordem Franciscana que tinha a tutela das irmãs Clarissas residentes no convento da Esperança”.
“Para se reiniciar o processo tem de ser encontrada uma ‘justificação histórica’ para ele não ter prosseguido o seu curso normal. Só depois de elaborada para a reabertura é que a mesma será enviada à conferência episcopal portuguesa pelo bispo de Angra, solicitando a reabertura do processo, que depois enviará à nunciatura em Portugal e esta, finalmente, remeterá para o dicastério das causas dos santos, em Roma”, explica a diocese de Angra.
Só depois de “validada a ‘justificação histórica’ por este organismo da Santa Sé, será enviado ao bispo diocesano o decreto nihil obstat (nada obsta), que o promulga. Nessa altura, a madre Teresa será chamada de ‘serva de Deus’, podendo dar-se, então, início à fase diocesana do processo. Terá de ser nomeada a comissão teológica, que juntamente com a comissão histórica, procederá à elaboração do processo na sua fase diocesana. Nesta fase do processo reúnem-se todos os factos atinentes à vida e às virtudes da pessoa, neste caso de madre Teresa d’Anunciada. Fechado este processo é enviado para Roma e começa a ser preparada a positio, sublinhando as virtudes heroicas da madre Teresa”, acrescenta.
Mas o processo não termina aqui. “Este documento tem de ser entregue e aprovado pelo dicastério das causas dos santos, que o remeterá ao Papa que é quem proclamará a madre Teresa como venerável”. Só a partir daqui é que será possível avançar para o “terceiro passo, que é a beatificação, para a qual terá de ser encontrado um milagre e fazer prova da fama de santidade. Depois desta etapa, o dicastério das causas dos santos examina o milagre apresentado, e o Papa aprova o decreto de beatificação e agenda a data da cerimónia, que geralmente é em Roma”, esclarece a diocese de Angra.
Finalmente, “o último passo do processo é a canonização para a qual terá de haver um segundo milagre, que terá de ter acontecido depois da beatificação. Examinado esse milagre pelo dicastério das causas dos santos e confirmado o processo regressa ao Papa para decretar a canonização”.
Faltando ainda muito para que a madre Teresa d’Anunciada seja declarada santa pela igreja, e tendo em conta todas as vicissitudes inerentes a uma investigação que terá por base fontes documentais, a pergunta que se coloca é: existe matéria para a madre Teresa ser canonizada? “Consideramos que há matéria suficiente para se iniciar o processo ainda que não exista um milagre declarado”, pode ler-se na resposta da diocese à questão formulada.
Acácio Mateus
Os leitores são a força do nosso jornal
Subscreva, apoie o Diário da Lagoa. Ao valorizar o nosso trabalho está a ajudar-nos a marcar a diferença, através do jornalismo de proximidade. Assim levamos até si as notícias que contam.
Deja una respuesta