
Está patente ao público, na Casa da Cultura Carlos César, na Lagoa, uma exposição sobre a vida e obra do Padre João Caetano Flores.
De acordo com uma nota de imprensa da autarquia lagoense, aquela exposição serve, também, para assinalar o 20º aniversário da sua morte. Estiveram, assim, presentes, além do executivo da autarquia lagoense, várias figuras ilustres conhecidas do sacerdote.
A presidente da autarquia, segundo se pode ler na nota enviada às redações, salienta que “este género de iniciativas culturais, nomeadamente esta exposição, contribui para perpetuar a memória do saudoso Padre Flores, claramente uma importante individualidade que contribuiu não só para o desenvolvimento cultural da Lagoa, como também social, em particular da pitoresca freguesia da Ribeira Chã”, referindo, ainda, a edil, que “este deve ser um exemplo e um legado de verdadeira cidadania que deve ser transmitido também às novas gerações, de forma a perpetuar a vida e obra de quem também contribuiu para enriquecer a história cultural do concelho”.
Segundo aquela nota, embora nascido em São Jorge, o sacerdote João Caetano Flores dedicou toda a sua vida pastoral à freguesia da Ribeira Chã. A sua atividade em prol da comunidade excedeu em muito as responsabilidades que lhe foram confiadas enquanto padre, tendo sido o motor de desenvolvimento e elevação cultural da freguesia.
Filho de João Caetano dos Santos e de Francisca Elvira Flores, João Caetano Flores nasceu a 9 de setembro de 1930, no lugar da Fajã dos Vimes, freguesia da Ribeira Seca, concelho da Calheta, São Jorge. Ingressou no Seminário Episcopal de Angra em 1956 e, no final desse ano, veio para a Ribeira Chã. Comemorou as suas bodas de prata de sacerdócio, a 10 de dezembro de 1981. Permaneceu na Ribeira Chã até à sua morte, a 2 de dezembro de 1998.
O sacerdote revolucionou o pequeno lugar da Ribeira Chã, preocupando-se em criar novas infraestruturas religiosas e cívicas. Detentor de um grande poder de persuasão, o Padre João Caetano Flores mobilizou a comunidade motivando-a para colaborar em todos os projetos, refere a mesma nota de imprensa.
A igreja de São José foi um dos maiores empreendimentos realizado pelo padre João Caetano Flores, tendo sido terminada em 1967. Foi concebida com uma arquitetura moderna, da autoria do arquiteto Eduardo Read Teixeira, e apresenta um revestimento mural criado pelo pintor Tomaz Borba Vieira e o sacrário pelo escultor Álvaro Raposo de França.
Em maio de 1962, foi inaugurada a nova estrada de acesso à Ribeira Chã, uma das obras que teve também a grande influência do sacerdote.
Em 1965, foram inaugurados a Biblioteca, a Cantina Paroquial e o Orfeão Musical. No ano seguinte, é criado o Centro Social e Paroquial de Assistência da Ribeira Chã. O padre teve, ainda, influência em projetos como a instalação da redeelétrica, a construção do parque infantil, do Polivalente Desportivo e do Centro de Convívio de Idosos, e a criação do boletim «Despertar» e do Posto de Receção Oficial de Telescola.
Na década de 80, o padre Flores inaugurou os núcleos museológicos do Quintal Etnográfico e o Museu de Arte Sacra e Etnografia. A Casa Museu de Maria dos Anjos Melo surgiu na década de 90, assim como as duas feiras gastronómicas criadas pelo sacerdote.
O valor da sua obra foi reconhecido, ainda em vida, por diversas entidades, nomeadamente pela Câmara Municipal de Lagoa, que lhe atribuiu o Diploma de Cidadão Honorário e a Medalha de Ouro do Município.
Refira-se, ainda, que a mesma exposição fica patente ao público, na Casa da Cultura Carlos César, na Lagoa, durante dois meses, sendo depois integrada no Núcleo Museológico da Ribeira Chã, criado pelo próprio homenageado. Esta obra veio no âmbito da reformulação museográfica que a paróquia está a empreender com o apoio da Câmara Municipal de Lagoa, com o objetivo de se associar ao Museu de Lagoa – Açores.
DL/CML
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