O Restaurante “A Traineira”, situado na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, na Lagoa, prima, desde fevereiro, pela mudança, tanto a nível das ementas, como do atendimento e da decoração.
O Chef Álvaro Lopes assumiu a cozinha do restaurante lagoense, em fevereiro deste ano, e considerou importante começar pela sua renovação, recuperando e renovando nomeadamente a decoração do mesmo, procurando dar um toque mais regional.
“Quem não evolui para, morre. O turismo está a crescer em São Miguel. Esperamos que o turismo cresça aqui na Lagoa, que está um bocadinho estagnado e para isso, temos que inovar, acrescentar coisas novas, temos que melhorar e principalmente servir mais e melhor”, explicou o Chef ao Jornal Diário da Lagoa.
Relativamente à emente do restaurante “A Traineira”, 95% dos produtos utilizados são regionais, nomeadamente: carne, peixe, fruta e legumes, com fornecedores regionais, sendo que, congelados, é apenas utilizado camarão e algum bacalhau, quando não há fresco.
Por outro lado, o Chef Álvaro considera que os lagoenses ainda não têm muita noção que ele está a gerir este restaurante, sentindo-se, restrito à rua e aos arredores, acreditando que o crescimento que tem vindo a sentir, a nível de clientes, muito se deve ao “boca a boca”.
“O boca a boca é a melhor ou a pior publicidade que se pode ter. Não há nada pior do que alguém ir comer a um sítio e dizer: fui comer àquele sítio e detestei. Assim como, também não há nada melhor do que o boca a boca e que diz: fui comer ali e estava espetacular, estava ótimo. Portanto, o boca a boca tanto é bom como é muito mau”, adiantou o cozinheiro do restaurante lagoense.
Para o Chef, o cliente típico do restaurante “A Traineira”, é aquele que vem à procura de peixe fresco e de uma confeção honesta, acreditando que a cozinha tradicional portuguesa e a regional são uma mais valia, fazendo sempre o possível para demonstrar às pessoas que o peixe e a carne não têm que ser, exageradamente, cozinhados para ficarem bons e para preservarem todo o sabor.
Apesar de não ser açoriano mas sim de Portugal continental, o Chef Álvaro Lopes defende que quem gosta de cozinha, gosta de cozinhar e gosta, principalmente, de comer, adiantando que a cozinha açoriana é muito boa.
“’Em Roma sê romano’, já diz o velho ditado. Portanto, se eu estou nos Açores desde 2002, posso dizer que é uma das gastronomias que eu mais gosto”, mencionou o Chef relativamente à escolha de cozinhar comida tradicional açoriana, relembrando que já passou pelas ilhas do Pico, Faial e São Miguel e que os Açores têm as melhoras carnes e peixes que se produzem a nível nacional, sendo necessário, apenas, saber respeitá-los e tratá-los como eles merecem.
“Viver no paraíso e comer uma comida que é feita no paraíso, com tudo o que de bom há aqui”, defende o Chef, referindo que, atualmente, a cidade de Lisboa, está descaraterizada, assim como, também teme que os Açores venham a ficar, nomeadamente, por causa do excesso de procura que acaba por degenerar a boa qualidade.
“Temos inúmeros restaurantes que servem produtos que não são regionais, da carne ao peixe, aos legumes e às frutas. O exemplo mais flagrante é: servir abacaxi por ananás, servir panga por abrótea, servir atum congelado por atum regional”, adiantando que o turista sempre procura o tradicional e o regional.
Segundo Álvaro Lopes a dificuldade, atualmente na hotelaria, passa por arranjar pessoas qualificadas, seja para servir à mesa ou para a cozinha, considerando que é preciso ter muito gosto, espírito de sacrifício e saber para se trabalhar num restaurante. Por outro lado, acredita que a maioria das pessoas trabalham na restauração por questões monetárias e não por gosto ou prazer, defendendo que o Governo Regional investe muito dinheiro na boa formação dessas pessoas e sendo a hotelaria uma arte, que a mesma não pode ser realizada por todos, “tem que haver paixão”.
“Neste momento, o Governo Regional investe dinheiro, a escola perde tempo a formar as pessoas e muito bem e depois o que é que acontece, acabam a escola e na semana seguinte já estão a exercer noutro país”, criticou o chefe, defendendo que os alunos com gosto pela hotelaria devem ficar nos Açores porque o futuro da região, se passa pelo turismo, precisa de bons profissionais.
Futuramente, os projetos do restaurante “A Traineira”, passam por aumentar a clientela e melhorar o serviço, principalmente porque a cozinha está sempre em evolução e esperar que, cada vez, apareçam mais pessoas que se queiram dedicar, “de corpo e alma à vida dura da hotelaria”.
O Chef considera que trabalhar na Lagoa é um desafio, sendo que no passado esta cidade era uma referência a nível de comida regional e tradicional, sente que, atualmente, com o progresso, foi-se perdendo.
Álvaro Lopes acredita que, com a aposta da autarquia lagoense, em defender o concelho como polo gastronómico e com a ajuda do Governo Regional, muito em breve, a cidade voltará a ser um ponto de referência na gastronomia de São Miguel.
Para o Chef Álvaro Lopes, a sua assinatura e o seu segredo passam pela simplicidade, considerando que, por vezes, “o difícil é fazer simples, sendo que a dificuldade reside na simplicidade”.
Brevemente, com as datas festivas, nomeadamente o São Martinho e o Natal, “A Traineira” irá apostar em ementas alusivas mas também, trazer alguns chefes do continente, de alguns restaurantes de referência, para a realização de semanas gastronómicas na Lagoa.
DL/AS
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